Nossa Senhora de Vagos

Nossa_Senhora_de_VagosNossa Senhora de Vagos (ou Santa Maria de Vagos) é uma designação pela qual é conhecida, na Igreja Católica na região de Vagos, em Portugal, a Virgem Maria, mãe de Jesus, pelos católicos ou outras pessoas que lhe tem devoção. O Santuário fica situado na vila portuguesa de Vagos é um local de devoção popular mariana e centro de peregrinações que remonta aos meados do século XVI.

Todavia, o aspecto global que hoje apresenta provém de várias remodelações efetuadas ao longo dos séculos. As invocações da Mãe de Jesus neste local tem as suas origens nos primórdios da nacionalidade portuguesa. Todos os documentos escritos, desde Abril de 1190 a 22 de Fevereiro de 1505, registram invariavelmente que existia uma ermida ou igreja, que ao longo dos séculos teve várias invocações: Nossa Senhora das Cerejas, Nossa Senhora do Bodo, Nossa Senhora da Conceição, da Rosa, Santa Maria de Vagos e recentemente Nossa Senhora de Vagos. 

Em 18 de Janeiro de 1537 surgiu pela primeira vez nas fontes históricas o título de Nossa Senhora da Conceição de Vagos. Sobre a localização exata da primeira ermida a tradição oral e escrita aconchega-se às Paredes da Torre. A inscrição lapidar parece identificar uma antiga construção no século XII.

Quanto á origem do santuário existem dúvidas e várias lendas, mas existem documentos autenticando que o primitivo Santuário e o culto aí promovido remonta à fundação da nacionalidade. Em Abril de 1190, entre títulos e doações e de outros bens pertencentes ao Couto de São Romão de Vagos, surge no Arquivo da Torre do Tombo uma carta na qual D. Fernando Joanes e sua mulher D. Maria Mendes fazem doação à igreja e com todo o seu couto, montes, fontes, prados e caminhos.

A Lenda das Origens da Imagem e da Ermida.

Por volta do ano 1185, sendo então rei de Portugal Sancho I, um navio gaulês fustigado por vagas alterosas naufragou perto da costa dos extensos areais de “Vacuus”. De toda a carga salvou-se apenas uma valiosa escultura de Santa Maria com o Menino Jesus ao colo e uma rosa na mão direita. Avançando pelo areal adentro os náufragos sobreviventes deparam a uns quilômetros da praia um tufo arbóreo verdejante. É nele que ocultam da avidez dos piratas e mouros a santa imagem que transportavam consigo. Envolvida no manto entretecido ali a deixaram, e partiram para a Esgueira, a mais destacada povoação daqueles tempos remotos. Ali suplicam ao sacerdote da terra que organize uma procissão solene a fim de trazer a imagem para a igreja local. Revestidos de festa, dirigiram-se ao local assinalado, mas nada encontraram apesar de buscas minuciosas e persistentes. Segundo a lenda, o sítio exato do escondimento da imagem foi revelado em sonhos a um lavrador corcunda. Estes, depois de ter sido miraculosamente curado, decide às suas expensas construir a primitiva ermida.

A Ermida de Nossa Senhora de Vagos.

Tomando conhecimento deste fato em Viseu, D. Sancho I, mediante um sonho e inspirado pela Virgem Maria enceta numa peregrinação até terras de Vagos. Foi por ordem régia que ali se construiu uma ermida e perto dela uma torre militar em forma quadrada para defesa dos ermitões e devotos. O rei dota o santuário de propriedades e rendas, e faz doação do mesmo aos frades de Grijó. Os sucessivos priores do Mosteiro de Grijó, entre 1200 a 1834, assumiram o encargo de nomear presbíteros para o serviço pastoral do Santuário. Este tinha o título de Administrador Perpétuo da Comenda de Santa Maria de Vagos.

Referências

  1. Carvalhais, Manuel António, Santa Maria de Vagos, (Coimbra, GC 2000) pg 9
  2. Frei Agostinho de Santa Maria, Nossa Senhora da Conceição de Vagos, – ‘Santuário Mariano’, 1712, Livro II, Título CVII, pg. 689
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Nossa Senhora da Agonia

nossa-senhora-da-agonia (4)Origem e significado de “Agonia”

A palavra agonia tem sua origem na angustiante luta entre os gladiadores na Roma antiga. Por isso, a Virgem Maria passou a ser invocada por pescadores de Viana do Castelo em Portugal, como nossa Senhora da Agonia. Eles passaram a usar o título “da Agonia” pelo fato de enfrentarem sempre a grande luta contra os perigos do naufrágio. O mar da região era muito bravio e, com a ajuda de tufões, jogava os barcos em direção a uma falésia chamada de “Penedo Ladrão”. As famílias dos corajosos pescadores assistiam a tudo do cais, angustiadas com a luta que aqueles homens travavam pela vida. Ajoelhadas, elas clamavam fervorosamente por Nossa Senhora da Agonia.

O santuário

Em Viana do Castelo, Portugal, existe um Santuário que foi construído para veneração a Nossa Senhora da Agonia. Foi construído em 1700 e, desde então, começaram inúmeras peregrinações levando multidões rumo ao santuário.

Devoção Festiva

Os pescadores do Norte de Portugal vão ao santuário de Nossa Senhora da Agonia para fazer seus pedidos de proteção e para agradecer pelas graças recebidas. Entre as cerimonias realizadas em louvor à Santa, pode-se citar uma procissão de barcos, organizada pelos pescadores. Um espetáculo encantador e emocionante.

Uma procissão muito famosa

A procissão marítima foi o que deu início às grandes cerimônias em louvor à Senhora da Agonia. Essa festa ficou tão famosa que pessoas de diversas nações da Europa viajam à Viana do Castelo, não apenas para fazer pedidos à Senhora, mas também como turistas para assistir aos fogos e shows pirotécnicos da festa.

Touradas

Também são realizadas grandes touradas, que atraem principalmente os espanhóis. Por mais que sejam festas que não demonstrem devoção, aqueles que visitam Viana do Castelo não deixam de ir ao o Santuário, para rezar e homenagear a Nossa Senhora da Agonia, que, mesmo sendo conhecida por diversos nomes, é sempre a Mãe de Jesus.

santuario agoniaSantuário de Nossa Senhora da Agonia no Brasil

O início comunidade Nossa Senhora da Agonia se deu em agosto de 1990, quando seus primeiros membros se interessaram em construir um templo no bairro Pinheirinho, onde residia grande parte desses fiéis. Foi então que eles começaram a pedir para algumas pessoas que possuíam terras nas proximidades, que doassem um terreno para o templo.

Não demorou muito, e logo receberam com muita alegria a notícia de que um senhor português, chamado Antônio de Lima Costa, radicado no Brasil há muitos anos, estava querendo doar um terreno no alto de uma colina, para que nela se construísse um templo.

A doação foi feita, e perguntado ao Sr. Antônio de Lima Costa se havia algum padroeiro escolhido por ele ou por sua família, ele respondeu: “É a SENHORA DA AGONIA. Já mandei entalhar sua imagem em Portugal”. O título sugerido não era do conhecimento de ninguém da comunidade, com exceção do doador do terreno e sua família. Este título surgiu em Portugal por volta de 1700. O Sr. Costa era muito devoto da Senhora da Agonia.

O santuário está localizado na Avenida Nossa Senhora da Agonia S/N, bairro de Nossa Senhora da Agonia em Itajubá/MG

nossa senhora da agonia 1Oração a Nossa Senhora da Agonia

Maria conhece todas as nossas necessidades, mágoas, tristezas, misérias e esperanças. Interessa-se por cada um de seus filhos, roga por cada um com tanto ardor como se não tivera outro. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

Ó Maria, Rainha dos Mártires, Senhora da Agonia, vós que permaneceste de pé junto à Cruz de Vosso Divino Filho Jesus e, às suas palavras: Mulher, eis o teu Filho; filho, eis a tua Mãe, tornaste-vos nossa Mãe; acolhei, com bondade, nossa prece filial.

Ó Senhora da Agonia, assim como o discípulo acolheu-Vos em sua casa, também nós queremos abrir-Vos as portas de nossos corações, de nossos lares, consagrando-vos toda a nossa vida passada, presente e futura.

Exercei, pois, Vossa função de Mãe, ensinando-nos a viver, em todos os momentos e vontade de Deus, levando-nos assim a imitar o Vosso sim de Nazaré, que culminou com o sim do Calvário. Vinde, ó Mãe, em socorro de nossas angústias, não permitindo que nos desviemos do caminho do bem, da verdade e do amor. Conduzi nossas vidas ao porto seguro da salvação que é Jesus. Ousando somar nossas agonias às vossas, diante desta dificuldade pedir a graça desejada, recorremos à vossa maternal proteção, com a confiança de que não ficaremos decepcionados em nossas súplicas. Amém. Nossa Senhora, rogai por nós. Amém.

Nossa Senhora do Bom Encontro

nossa-senhora-do-bom-encontroNossa Senhora do bom encontro também conhecida como Nossa Senhora de Laus ( Alpes franceses)

As aparições de Nossa Senhora a uma pobre pastora, Benoîte Rencurel, são extraordinárias pela simplicidade da jovem e pela atitude da Santíssima Virgem para com a vidente. Muito criança ainda, Benoîte já revelava grande virtude. Fatos fora do comum caracterizaram sua infância, e são tão numerosos que se torna difícil enumerá-los.

Um dia em que guardava seu rebanho num lugar afastado, dois homens quiseram aproveitar-se disso para ultrajá-la. A menina procurou fugir, correndo para o lado de um grande pântano, mas seus próprios perseguidores viram-na atravessar o lamaçal sem afundar e nem mesmo molhar os pés.

Quando completou 17 anos, na primavera de 1664, Nossa Senhora apareceu-lhe pela primeira vez. Benoîte dirigiu-lhe a palavra, mas a Virgem somente falou com ela após numerosas aparições. Estabeleceu-se entre as duas como que uma amizade sobrenatural, que durou até o fim da vida de Benoîte. É difícil saber-se exatamente o que queria a Santíssima Virgem com os diálogos que mantinha com a vidente. Apertava-lhe a mão com freqüência e lhe oferecia a borda do manto para que a jovem aí repousasse.

Benoîte nunca perdeu sua simplicidade. Certa ocasião a Mãe de Deus pediu à pastora um belo carneiro e uma grande cabra.

— O carneiro, bela Senhora, eu vos darei e o descontarei do meu ordenado. Mas a cabra, não. Ela me faz falta. Mesmo que a Senhora me ofereça trinta escudos por ela, eu não a cederei.

Outra vez Nossa Senhora mandou Benoîte à missa, e enquanto ela permaneceu na igreja seu rebanho foi para outro lugar. Ao regressar, procurou-o ansiosamente e começou a chorar. Mas Nossa Senhora apareceu e lhe disse, devolvendo os carneiros:

— Tu me agradaste, porque não ficaste impaciente. Eu só quis provar tua paciência.

Como as notícias desses fatos começassem a se espalhar e fossem iniciadas sindicâncias, Nossa Senhora disse a Benoîte que fosse para Laus. Lá o povo era muito piedoso, e venerava havia anos, numa capela, Nossa Senhora do Bom Encontro. Nessa capela, Benoîte voltaria a vê-la.

Na capela paupérrima, que Nossa Senhora prometeu que se tornaria uma grande igreja, Benoîte recebeu a ordem de rezar muito pelos pecadores. Milagres sem conta tiveram início, e com eles as peregrinações. E também a primeira perseguição a Benoîte. Os clérigos da catedral de Embrun, centro de grandes romarias, enciumaram-se com o fervor de Laus e levantaram objeções à devoção a Nossa Senhora do Bom Encontro. Moveram assim um inquérito sobre a vidente. Cheia de medo, Benoîte chamou a Santíssima Virgem em seu socorro. Esta lhe disse que respondesse a tudo que as pessoas da Igreja perguntassem, mas que não tivesse receio de nada:

— Os padres podem dar ordens a meu Filho, mas não a mim.

lausDe fato, após um processo severíssimo, Benoîte foi considerada inocente. E a pequena capela de Laus foi crescendo, de tal forma que em 1891 Leão XIII a erigiu em Basílica Menor. Uma das graças a ela concedida pela Mãe de Deus foi o poder do óleo da lâmpada do sacrário, de curar qualquer moléstia.

Benoîte viveu 71 anos, inteiramente dedicados à Santíssima Virgem. Sua vida foi uma visão contínua. Rezava ininterruptamente, e suas penitências eram severíssimas. Possuindo o dom dos milagres e de ler nas consciências, converteu numerosas pessoas. Horrivelmente perseguida pelo demônio, chegou a derramar lágrimas de sangue. Além disso, quando os primeiros missionários de Laus morreram, foram substituídos por padres jansenistas, que por vinte anos perseguiram a vidente e a devoção a Nossa Senhora.

Mas Nossa Senhora consolava sua filha em meio a tanto sofrimento. Talvez poucas pessoas tenham tido o contato com o sobrenatural que ela teve. Toda a corte celeste lhe fazia companhia: São Gervásio, Santa Bárbara, São José, Santa Catarina de Siena a ela se dedicavam com toda simplicidade; os anjos a ajudavam a limpar a capela, recitavam com ela o Rosário e lhe traduziam para o francês trechos de salmos latinos. Gracejavam gentilmente com ela e a distraíam, evitando que exagerasse suas macerações. Uma vez que ocultaram sua disciplina, ela se queixou a Nossa Senhora:

— Isto me custou quatro francos…

Outra ocasião, um anjo repreendeu-a por um zelo impaciente, e ela respondeu com toda segurança:

— Se tivésseis um corpo como nós, belo anjo, veríamos o que faríeis.

Nossa Senhora apareceu-lhe em meio a grande número de anjos, que conversavam entre si. Benoîte não hesitou:

— Calai-vos agora e deixai falar vossa Mãe.

Benoîte, que também recebeu os estigmas da crucifixão, morreu dias após o Natal de 1718. Quando ela expirou, todo o vale de Laus foi inundado de inigualável perfume.

Nota: 146 anos depois de Lourdes, a Igreja francesa reconheceu oficialmente o caráter sobrenatural das aparições de Nossa Senhora de Laus.

Nossa Senhora do Caminho

theotokos_hodegetria_14th_c_serbiaA imagem inspirada e inspiradora que aponta Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida

Um dos mais inspirados e belos ícones marianos de toda a história do cristianismo nos apresenta Maria, Mãe de Deus, segurando o Menino Jesus em um dos braços e, com a outra mão, apontando para Ele como quem indica O Caminho da Salvação – que é o próprio Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

É justamente por isto que esse ícone se tornou conhecido como “Hodegétria” ou “Hodigítria“, palavra que, em grego (Οδηγήτρια), quer dizer “A Mostradora do Caminho“.

Na tradição ocidental, as imagens que representam Maria e o Menino Jesus nessa mesma posição e com esse mesmo significado deram origem à devoção a Nossa Senhora do Caminho.

Não existe apenas um ícone específico chamado Hodegétria: o termo é usado em referência a todos os ícones que propõem essa mesma mensagem, ou seja, a mensagem de que Nossa Senhora indica o Menino Jesus como Caminho. Existe uma vasta gama de variações da Hodegétria, especialmente no cristianismo ortodoxo.

O ícone original era custodiado no Mosteiro da Panágia Hodegétria, em Constantinopla, atual Istambul. Esse mosteiro foi construído especialmente para abrigar o ícone, que, ao contrário da maioria das versões posteriores, mostrava Nossa Senhora em pé e não sentada.

Conta-se que o ícone original teria sido pintado pelo evangelista São Lucas, conhecido como o “retratista de Maria“, e que fora levado da Terra Santa pela imperatriz-consorte Eudóxia. Esse primeiro ícone tinha dois lados: além da imagem da Hodegétria propriamente dita, trazia no reverso uma imagem da crucificação de Jesus. Alguns autores sustentam que se tratava do objeto de culto mais importante do Império Bizantino. O mais provável é que o ícone original tenha se perdido com o passar dos séculos, mas várias tradições afirmam que ele foi levado para a Rússia ou para a Itália.

teotoco-de-vladimirO que é fato é que, na Rússia e em outras nações eslavas, espalhou-se um grande número de versões dessa preciosa imagem, originando alguns dos mais venerados ícones do cristianismo ortodoxo. A partir da Hodegétria se desenvolveu, por exemplo, a Panágia Eleusa, doce imagem em que o Menino Jesus é representado encostando o nariz ou a boca na bochecha da mãe Maria, que, por sua vez, se inclina carinhosamente em direção ao Filho. A palavra grega “Panágia” quer dizer “Santíssima”, ou, literalmente, “Toda Santa”; já “Eleusa”, também em grego, significa “Misericordiosa” ou “Terna”. Versões famosas desta variante da Hodegétria incluem a “Teótoco de Vladimir” (na imagem abaixo) e a “Teótoco de São Teodoro“. O termo grego “Teótoco” ou “Theotókos” quer dizer “Portadora de Deus”, no sentido de “Mãe de Deus”.

Nossa Senhora do Alívio

n-s-alivioOrigens

Em 1790 o Pe. Francisco Xavier Leite Fragoas era pároco de São Miguel de Soutelo, na arquidiocese de Braga. De acordo com Leonídio de Abreu em seu livro “O santuário do Alívio” (Braga, 1958), o pároco era membro de uma família nobre e muito caridosa. Era gentil e caridoso com o povo, sempre procurando renunciar a toda ostentação e vaidade. Ele se preocupava muito em manter a igreja matriz limpa e bonita, simplesmente porque sabia que a igreja é a casa do Senhor.

 A grave enfermidade

Um dia, o Padre ficou doente a ponto de não conseguir se levantar da cama. Assim, chamaram muitos médicos, e ele foi diagnosticado com doenças gravíssimas. Dia após dia o padre piorava cada vez mais, sem que os médicos encontrassem a cura. Contudo, o padre não queria falecer e deixar suas realizações na igreja matriz inacabadas. Assim, sendo um fervoroso devoto da Virgem Santíssima, ele pede a ela a cura de suas enfermidades, prometendo construir um templo em sua homenagem.

A aparição de Maria

Numa linda manhã, o assistente do Pe. Xavier vai ao quarto do padre para lhe servir seu almoço, e, ao se aproximar da porta do quarto, vê uma forte luz passar por lá. Ele ficou bastante intrigado, já que sabia que não havia ninguém com o padre naquela hora, e que as janelas estavam fechadas. Ele esperou alguns segundos para decidir o que fazer e então resolveu entrar no quarto. Ao entrar, o auxiliar não encontrou a tal claridade, mas viu que o padre possuía um olhar mais vivo, um espírito mais calmo, uma voz mais audível, e sorriso esperançoso no rosto. Percebendo a curiosidade estampada na cara de seu assistente, o padre pergunta se ele tinha visto algo diferente. O assistente diz então que avistou uma luz extremamente brilhante passando debaixo da porta do quarto do padre. O padre então resolve contar a ele o acontecido: “Foi Nossa Senhora que me apareceu! Esteve aqui no quarto, eu vi-a! Ela me curará e assim eu poderei concluir as obras da igreja!” Desde então, o padre melhorou rapidamente, logo voltando às suas funções na paróquia.

sra-alivioComeçando a cumprir as promessas

Tendo recebido a graça de Maria, o padre viu que era hora de cumprir suas promessas. Ele queria construir a maior capela que seu dinheiro permitisse. Assim, no ano de 1794 escreveu uma carta ao D. Frei Caetano Brandão, arcebispo de Braga, requisitando autorização para construir uma capela em louvor de Maria Santíssima no lugar onde ficava a Gândara, deixando dinheiro suficiente para a construção e a manutenção da capela. A solicitação não foi atendida, fato que fez com que ele insistisse de novo com o bispo, dizendo que a referida capela seria para veneração a Nossa Senhora do Alívio.

A construção da capela

Assim, no dia 18 de agosto de 1794, o arcebispo concede autorização para a construção da capela. Ao ficar sabendo, o padre já começa a construção, e, no dia 18 de junho de 1798, comunica ao arcebispo de Braga pedindo suas bênçãos e dizendo que concluiu a construção da capela. A consagração da Capela de Nossa Senhora do Alívio ocorreu no dia 7 de setembro do de 1798. Nesse dia houve uma  grande festa em Soutelo, onde várias autoridades da igreja estiveram presentes, junto com uma grande multidão. Houve uma procissão para levar a imagem de Nossa Senhora do Alívio saindo da igreja matriz de Soutelo até a capela construída, na companhia de doze apóstolos e doze anjos.

Devoção a Nossa Senhora do Alívio

A devoção a Nossa Senhora do Alívio começou no ano de 1798, quando o Padre Xavier havia terminado de construir a igreja em sua homenagem. Foi colocada uma imagem de Nossa Senhora do Alívio na igreja, o que fez com que a devoção a ela aumentasse ainda mais. Depois disso, no ano de 1800 foi fundada uma confraria. Segundo Leonídio de Abreu, “De aí por diante, gente de perto e de longe acorria diariamente a venerar a Virgem, que, por sua vez, derramava abundantes graças sobre todos os que imploravam a sua divina proteção”.Especialmente as grávidas adotaram Senhora do Alívio como protetora.

As festas em homenagem à Virgem

Não demorou muito para que a grande quantidade de devotos se transformasse em romarias bastante fervorosas. As festas para Nossa Senhora do Alívio ocorrem no segundo e no terceiro domingos de setembro. Os Estatutos ordenam que a festa tenha “pelo menos, missa cantada com acólitos e sermão”.

Oração a Nossa Senhora do Alívio

“Senhor Jesus Cristo, Mediador nosso junto do Pai, que, pelo poder do Espírito Santo, Vos dignastes escolher a Virgem Santíssima, Vossa Mãe, que invocamos como Senhora do Alívio, nossa Medianeira e auxílio nas doenças e preocupações, concedei misericordiosamente a quem por ela Vos invoca, procurando as Vossas graças, se alegre de as receber para louvor da Vossa Glória. Amém.”

Nossa Senhora do Porto

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Altar de Nossa Snhora da Vandoma na Sé do Porto

A devoção tem sua origem em um episódio conhecido como Armada dos Gascões, ocorrido em Portugal no período da Reconquista Cristã da Península Ibérica. Terá surgido por volta do ano 990, na altura em que o nobre português dom Munio Viegas liderou uma armada de cavaleiros originários da Gasconha que, ao desembarcarem na foz do rio Douro, combateram os mouros que dominavam a região do Porto. Junto com os gascões, estava D.Nonego, bispo da localidade francesa de Vendôme e que depois o foi do Porto, que, segundo se crê, trouxera consigo uma cópia da imagem de Nossa Senhora que havia na Catedral de Vandoma (Vendôme).Nossa Senhora do Porto, Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação e Nossa Senhora de Vandoma são invocações sinônimas à Virgem Maria na Igreja Católica.

Segundo a tradição, dom Munio e os franceses, após a vitória sobre os mouros e a retomada a cidade, reergueram as muralhas da cidade. Estas tinham, como uma das saídas principais, a chamada Porta de Vandoma, onde teria sido colocada a referida imagem de Nossa Senhora de Vandoma, atualmente exposta na Sé do Porto.

A cidade consagrou Nossa Senhora de Vandoma como sua padroeira, devoção que, até hoje, ilustra o brasão de armas do Porto.

A imagem foi venerada pela população, que a levou a percorrer as suas ruas em procissão, principalmente durante os períodos de epidemias que assolaram o Porto e regiões vizinhas.

A devoção chegou ao Brasil pelos portugueses como Nossa Senhora do Porto, a qual igualmente tornou-se orago de algumas cidades como Andrelândia e Senhora do Porto, em Minas Gerais, e Morretes, no Paraná.

Nossa Senhora de Nazaré

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Representação da aparição de Nossa Senhora da Nazaré, em Portugal, e do milagre com o nobre guerreiro D. Fuas Roupinho.

A devoção teve início com uma famosa aparição e milagre ocorridos em Portugal e espalhou-se pelas colônias portuguesas. No Brasil, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré tem grande expressão em Belém (Pará) através do Círio de Nazaré, que se tornou uma das maiores procissões católicas do mundo, reunindo anualmente cerca de dois milhões de pessoas.

Origem da devoção em Portugal

Segundo a tradição, a sagrada imagem de Nossa Senhora da Nazaré foi esculpida por São José, sendo mais tarde pintada por São Lucas. No século sexto foi levada para a Espanha permanecendo no Mosteiro de Cauliniana, perto de Mérida, até 711, ano em que após a batalha de Guadalete foi levada para Portugal, onde permaneceu escondida, quase ignorada numa gruta do litoral, até ao ano de 1182, quando o cavaleiro D. Fuas Roupinho, por sua interseção, foi salvo milagrosamente, conforme conta a Lenda da Nazaré. O título desta invocação veio a dar o nome à vila da Nazaré, onde a imagem é venerada no Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Esta devoção foi conhecida em todo o Império Português, sobretudo devido à ação evangelizadora dos Jesuítas que consagraram a Nossa Senhora da Nazaré a sua principal casa de noviciado, em Lisboa, a capital do Império.

Imagem em azulejos na Capela de N. Sra. da Nazaré de Cortegaça - Portugal
Imagem em azulejos na Capela de N. Sra. da Nazaré de Cortegaça – Portugal

Devoção no Brasil
Em Saquarema 

No ano de 1630, no dia 8 de setembro, após uma forte tempestade, um pescador saiu para ver suas redes próximo ao mar de Saquarema. Ao passar pela colina, onde hoje está erguida a Matriz encontrou próximo ao Costão, morro de pedras que fica localizado no centro da cidade, uma forte luz. Decidiu então chegar mais próximo e encontrou uma imagem de Maria (Mãe de Jesus, deu-lhe então o título Nossa Senhora de Nazaré.

 Saquarema é o berço da devoção à Senhora de Nazaré no Brasil,em nosso país foi aqui que tudo começou, de Portugal a devoção veio direto para Saquarema. Até os dias de hoje esta verdadeira e única imagem encontra-se em sua Matriz sendo cercada de amor, e encontra-se revestida com seu tradicional e rico manto, símbolo desta devoção, reinando através dos séculos com quase 400 anos de história, fé e devoção. Existe uma comoção popular para que a Excelsa Virgem um dia seja proclamada Padroeira do Estado do Rio de Janeiro.
Imagem Nossa Senhora Nazaré de Belém(PA)
Imagem Nossa Senhora Nazaré de Belém(PA)

No Pará
A devoção à Nossa Senhora de Nazaré é de origem portuguesa. Introduzida no Pará pelos jesuítas, há mais de 200 anos é cultuada na festa do Círio de Nazaré.

Consta que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada pelo caboclo Plácido José de Souza no ano de 1700, às margens do igarapé Murucutu. Plácido a levou para sua casa e no dia seguinte a imagem havia desaparecido. O caboclo tornou a encontrá-la no igarapé, recolhendo-a novamente. O fato repetiu-se duas vezes até que foi construída uma pequena capela no local. Com o aumento da devoção, foi construída a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré nesta localidade, hoje Belém do Pará.

Em Belém ocorre todos os anos o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e reúne mais de 2 milhões de fiéis que seguem esta imagem que é levada par à Casa de Deus, onde termina a procissão e há uma missa com todos os devotos.

Procissões semelhantes ocorrem no estado em Cametá, Marabá, Aurora do Pará,Mãe do Rio, Macapazinho, São Miguel do Guamá,Souré, São João de Pirabas, Vigia e também em Portel no Marajó.

Nossa Senhora de Nazaré também é cultuada na região norte, nordeste, sudeste e em Brasília , onde um grupo de paraenses introduziu o círio em 1960.