O dogma da Imaculada Concepção

O dogma se baseia em idéias bíblicas relativas à santidade de Maria (Lucas, 1:28) e às primeiras associações feitas pela Igreja de Maria como sendo a ‘nova Eva’. No Concílio de Éfeso, em 431, também se defendeu a posição de Maria como a Mãe de Deus.
A valorização da invocação da Imaculada Concepção parece ter como objetivo enfatizar ainda mais o lado extraordinário do nascimento de Jesus, numa tentativa de provar que Ele era realmente o Messias, o Salvador, ao revestir de milagres os antecedentes do seu nascimento.
Não só teria Ele sido concebido sem pecado original, mas Maria, a mulher escolhida para lhe dar à luz, também havia sido concebida sem a mácula do pecado original e este teria sido o plano de Deus desde o início. Nunca houve, entretanto, consenso entre os doutores da Igreja em relação a este dogma.

O Nascimento da Virgem, 1486-90, obra de Domenico Ghirlandaio, afresco da Capela Tornabuoni, Santa Maria Novella, Florença.
Representações como esta reforçariam a tese dominicana de que a Virgem Maria teria sido apenas santificada no ventre de Ana. É interessante observar como são enfatizados aqui os traços humanos envolvendo seu nascimento: Ana descansando após o parto, as mulheres ajudando, limpando o bebê recém nascido e, ao fundo, um caloroso abraço entre Ana e José, quando teria se dado a concepção, que aqui ocorre no âmbito privado, e não em público como em muitas outras representações, talvez aludindo ao fato de que a concepção de maria poderia ter se dado da maneira convencional. Imagem da Web Gallery of Art

Cappella Tornabuoni – Santa Maria Novella – Florença – Itália
 

Referências do texto: Márcia Bonnet – PhD em História e Teoria da Arte (Essex, 2001), mestre em História (IFCS-UFRJ, 1996), Esp. em História da Arte e Arquitetura (PUC-Rio, 1991), Esp. em Cultura e Arte Barroca (UFOP, 1995). Prof. Adjunta de História da Arte e pesquisadora da UFRGS e Coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisa em Arte Colonial (LEPAC), na mesma universidade

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Publicado em 19/11/2009, em Dogma, História, Web Art. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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