Nossa Senhora do Caminho

theotokos_hodegetria_14th_c_serbiaA imagem inspirada e inspiradora que aponta Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida

Um dos mais inspirados e belos ícones marianos de toda a história do cristianismo nos apresenta Maria, Mãe de Deus, segurando o Menino Jesus em um dos braços e, com a outra mão, apontando para Ele como quem indica O Caminho da Salvação – que é o próprio Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

É justamente por isto que esse ícone se tornou conhecido como “Hodegétria” ou “Hodigítria“, palavra que, em grego (Οδηγήτρια), quer dizer “A Mostradora do Caminho“.

Na tradição ocidental, as imagens que representam Maria e o Menino Jesus nessa mesma posição e com esse mesmo significado deram origem à devoção a Nossa Senhora do Caminho.

Não existe apenas um ícone específico chamado Hodegétria: o termo é usado em referência a todos os ícones que propõem essa mesma mensagem, ou seja, a mensagem de que Nossa Senhora indica o Menino Jesus como Caminho. Existe uma vasta gama de variações da Hodegétria, especialmente no cristianismo ortodoxo.

O ícone original era custodiado no Mosteiro da Panágia Hodegétria, em Constantinopla, atual Istambul. Esse mosteiro foi construído especialmente para abrigar o ícone, que, ao contrário da maioria das versões posteriores, mostrava Nossa Senhora em pé e não sentada.

Conta-se que o ícone original teria sido pintado pelo evangelista São Lucas, conhecido como o “retratista de Maria“, e que fora levado da Terra Santa pela imperatriz-consorte Eudóxia. Esse primeiro ícone tinha dois lados: além da imagem da Hodegétria propriamente dita, trazia no reverso uma imagem da crucificação de Jesus. Alguns autores sustentam que se tratava do objeto de culto mais importante do Império Bizantino. O mais provável é que o ícone original tenha se perdido com o passar dos séculos, mas várias tradições afirmam que ele foi levado para a Rússia ou para a Itália.

teotoco-de-vladimirO que é fato é que, na Rússia e em outras nações eslavas, espalhou-se um grande número de versões dessa preciosa imagem, originando alguns dos mais venerados ícones do cristianismo ortodoxo. A partir da Hodegétria se desenvolveu, por exemplo, a Panágia Eleusa, doce imagem em que o Menino Jesus é representado encostando o nariz ou a boca na bochecha da mãe Maria, que, por sua vez, se inclina carinhosamente em direção ao Filho. A palavra grega “Panágia” quer dizer “Santíssima”, ou, literalmente, “Toda Santa”; já “Eleusa”, também em grego, significa “Misericordiosa” ou “Terna”. Versões famosas desta variante da Hodegétria incluem a “Teótoco de Vladimir” (na imagem abaixo) e a “Teótoco de São Teodoro“. O termo grego “Teótoco” ou “Theotókos” quer dizer “Portadora de Deus”, no sentido de “Mãe de Deus”.

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Nossa Senhora da Apresentação

Nossa Senhora Adentrando no Templo
Nossa Senhora Adentrando no Templo

A memória da apresentação da Virgem Maria é celebrada no dia 21 de novembro, quando se comemora um dos momentos sagrados da vida da Mãe de Deus, sua apresentação no Templo por seus pais Joaquim e Ana. Nenhum livro da Sagrada Escritura relata este acontecimento, sendo fartamente tratado nas escrituras apócrifas, que não são reconhecidas como inspiradas. Segundo esses apócrifos, a apresentação de Maria foi muito solene. Tanto no momento de sua oferta como durante o tempo de sua permanência no Templo verificaram-se alguns fatos prodigiosos: Maria, conforme a promessa feita pelos seus pais, foi conduzida ao Templo aos três anos, acompanhada por um grande número de meninas hebréias que seguravam tochas acesas, com a presença de autoridades de Jerusalém e entre cantos angélicos.

Para subir ao Templo havia 15 degraus, que Maria subiu sozinha, embora fosse tão pequena. Os apócrifos dizem ainda que Maria no Templo se alimentava com uma comida extraordinária trazida diretamente pelos anjos e que ela não residia com as outras meninas. Segundo a mesma tradição apócrifa ela teria ali permanecido doze anos, saindo apenas para desposar São José, pois durante este período havia perdido seus pais.

Na realidade a apresentação de Maria deve ter sido muito modesta e ao mesmo temo mais gloriosa. Foi de fato através deste serviço ao Senhor no Templo, que Maria preparou o seu corpo, mas sobretudo a sua alma, para receber o Filho de Deus, realizando em si mesma a palavra de Cristo:

“Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.

Apresentação da Virgem de Giordano
Apresentação da Virgem de Giordano

Na Igreja Oriental, a festa da Apresentação é celebrada desde o século VII, no dia 21 de novembro, aniversário da Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, em Jerusalém. Contudo , ela só foi estabelecida na Igreja Ocidental no século XIV pelo papa Gregório XI, a pedido do embaixador de Chipre junto à Santa Sé. A cidade de Avinhão, na França, residência dos papas naquela época, teve a glória de ser a primeira do Ocidente a celebrar a nova festividade em 1732.

Desde então este episódio da vida de Maria Santíssima começou a despertar o interesse dos cristãos e dos artistas, surgindo belíssimas pinturas sobre o tema da Apresentação.

Tudo que sabemos da apresentação de Nossa Senhora no templo, sabemo-lo por lendas e  informações extra-bíblicas (principalmente pelo proto-Evangelho de Tiago), o que não quer dizer que o assunto da festa careça de probabilidade  histórica. Segundo uma piedosa  lenda, Maria Santíssima, tendo apenas três anos de idade, foi pelos  pais, em cumprimento de uma promessa, levada ao templo, para ali, com outras  meninas, receber educação adequada  à sua idade e posição. A  Igreja oriental distinguiu este fato com as honras de uma festa litúrgica. A Igreja ocidental conhece a comemoração da Apresentação de Nossa Senhora desde o século VIII.  Estabelecida primeiramente pelo Papa Gregório XI, em 1372, só para a corte papal, em Avignon, em 1585, Sixto V ordenou que fosse celebrada em toda a Igreja.

Apresentação da Virgem de Pierre Mignard
Apresentação da Virgem de Pierre Mignard

História antiga:

A Apresentação de Nossa Senhora encerra dois sacrifícios: A dos pais e da menina Maria. Diz a  lenda que Joaquim e Ana ofereceram a Deus a filhinha no templo, quando esta tinha três anos. Sem dúvida, foi para estas santas pessoas um sacrifício muito grande separar-se da filhinha que se achava numa  idade em que há pais  que queiram confiar  os filhos a mãos  estranhas. Três anos  é a idade em  que a criança já recompensa de  algum modo os  trabalhos e sacrifícios dos pais, formulando palavras e fazendo já exercícios mentais  que encantam e divertem, dando ao mesmo tempo provas de gratidão e  amor  filiais.  São Joaquim e Santa Ana não teriam experimentado o sacrifício em toda a sua amargura? O coração dos  amorosos pais  não teria sentido a dor da separação? Que foi que os levou a  fazer tal sacrifício?  A lenda fala de um voto que tinham feito. Votos desta natureza não eram raros no  Antigo testamento. As crianças  eram educadas em colégios  anexos ao templo, e ajudavam nos múltiplos serviços e  funções da casa de Deus.  Não erramos em supor que Joaquim e Ana, quando levaram a filhinha ao templo, fizeram-no por inspiração sobrenatural, querendo Deus que sua futura esposa e mãe recebesse uma educação e  instrução esmeradíssima.

Grande era o sacrifício de Maria. Não resta dúvida que para Maria, a criança entre todas as  mais privilegiada, a cerimônia da  apresentação significava mais que a entrada no colégio do templo. Maria  reconhecia em tudo uma solene  consagração da  vida a Deus, a oferta de  si mesma ao Supremo Senhor. O sacrifício que oferecia, era a oferta das primícias, e as primícias, por mais insignificantes que sejam,  são preciosas  por serem uma demonstração da generosidade do ofertante, e uma homenagem a quem as recebe.  Maria ofereceu-se sem reserva, para sempre, com contentamento e júbilo. O que o salmista cantou, cheio de  entusiasmo, traduziu-se na alma da bem-aventurada menina:  “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e  desfalece pelos  átrios do Senhor” .  E entrarei junto ao altar de  Deus;  do Deus que alegra a minha mocidade.

Apresentação da Virgem de Conegliano
Apresentação da Virgem de Conegliano

Que espírito, tanto nos santos pais como na santa menina!  Que espetáculo para o céu e para os homens! O que encanta a  Deus e lhe atrai a  graça, em toda a plenitude edifica e enleva a  todos que se ocupam deste mistério na vida de Nossa Senhora. Poderá haver coisa mais bela que a piedade, o desprendimento completo no serviço do Senhor?

A vida de Maria Santíssima no templo foi a  mais santa, a mais perfeita que se pode imaginar. O templo era a  casa de Deus e  na proximidade de  Deus se  sentia bem a bela alma em flor.  “O passarinho acha casa para si e a rôla ninho nos altares do Senhor dos Exércitos, onde um dia é melhor que mil nas tendas dos pecadores” .  Santo era o lugar onde Maria vivia. Era o templo onde os antepassados tinham feito orações, celebrado as festas; era o templo onde se achava o santuário do Antigo testamento, a arca, o trono de Deus no meio do povo;  era  o templo afinal, de  que as profecias  diziam que o Messias nele devia fazer entrada.

Naquele  templo a  menina Maria rezava e se  preparava  para a grande missão que Deus lhe tinha reservado.  “Como os  olhos da serva nas mãos da Senhora, assim os olhos de Maria estavam fitos no Senhor  seu Deus”. Segundo uma revelação com que Maria agraciou  a  Santa Isabel de Turíngia todas as orações feitas naquele  tempo se  lhe resumiram no seguinte: 1) alcançar as virtudes da humildade, paciência e caridade;  2) conseguir amar e  odiar tudo que a Deus tem amor ou ódio;   3) amar o próximo e tudo que lhe é caro;  4) a conservação da nação e do templo, a paz e a plenitude das graças de Deus e 5) finalmente ver o Messias e  poder servir a  sua santa Mãe.

Maria era o modelo de  obediência, amor e respeito para com os  superiores de  caridade e  amabilidade para com as  companheiras. Tinha o coração alheio à antipatia, à rixa, ao azedume e ao amor próprio. Maria era uma menina humilde, despretensiosa e  amante do trabalho. Com afã lia e estudava os Santos Livros.

Apresentação da Virgem de Giotto
A apresentação da Virgem Maria ao Templo (1303-1306), Giotto di Bondone
Capela Scrovegni ou de Santa Maria da Arena, Pádua, Itália

Como as meninas do Colégio do templo se  ocupavam de  outros trabalhos  concernentes ao serviço santo, é provável que Maria  tenha recebido instruções sobre diversos trabalhos, como fossem:  Pintura, trabalhos de  agulha, canto e música. É opinião de muitos que o grande  véu do templo, que na hora da morte de Jesus se partiu de alto a baixo, tenha sido confeccionado por Maria  Santíssima e as  companheiras.

Assim foi santíssima a  vida de  Maria no templo. O Divino Espírito Santo lapidou o coração e  o espírito da esposa, mais do que qualquer  outra  criatura. Maria poderia aplicar a  si as palavras contidas no Eclesiástico:  “Quando ainda era pequena, procurei a sabedoria na oração. Na entrada do templo instava por ela… Ela floresceu como uma nova temporã. Meu coração nela se alegrou e desde a mocidade procurei seguir-lhe o rastro”.

É de admirar que Maria, assim amparada pelos cuidados humanos e divinos, progredisse de virtude em virtude?  De Nosso Senhor o Evangelho constata diversas vezes esta circunstância.  Como Jesus, também Maria cresceu em graça e  sabedoria diante de Deus e dos homens. Este crescimento a  Igreja contempla-o em imagens  grandiosas traçadas no Livro do Eclesiástico: “Sou  exaltada qual cedro no Líbano, e qual cipreste no monte Sião. Sou exaltada qual palma em Cedes e como rosais em Jericó. Qual oliveira especiosa nos campos e  qual plátano, sou exaltada junto da água nas praças. Assim como o cinamomo e o bálsamo que difundem cheiro, exalei fragrância; como a  mirra escolhida derramei odor de suavidade na minha habitação; como uma vide, lancei flores| de um agradável perfume e as  minhas flores são frutos de honra e de  honestidade”.  Nunca houve mocidade  tão santa e  esplendorosa como a  de Maria Santíssima. Outra não poderia ser, devendo Maria preparar-se para a realização do mistério dos mistérios;  da Encarnação do Verbo Eterno.

Reflexões:

A festa da  Apresentação de Nossa Senhora encerra belos ensinamentos para a família cristã,  para pais e filhos. Que modelo mais perfeito pais cristãos poderiam procurar, que Joaquim e Ana?  Que exemplo de  verdadeiro amor de  Deus eles nos dão!  Os pais não devem sacrificar os filhos  ao egoísmo e às paixões, mas a Deus, que lhos deu. Como Joaquim e Ana devem estar prontos a  oferecer os filhos, quando Deus os chamar para o seu serviço. Todos nós, vemos em Maria o exemplo que devemos imitar, se queremos que nossa vida seja agradável a Deus.  Oração, pureza de  coração e  trabalho – eis os  capítulos  principais da vida cristã.

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Imagem de Nossa Senhora da Apresentação – Padroeira de Natal/RN

No Brasil:

A primeira paróquia dedicada a esta invocação mariana no Brasil ocorreu em 1599, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. A cidade de Porto Calvo, em Alagoas, palco de diversas batalhas entre brasileiros e tropas invasoras, durante a guerra holandesa, tem também como padroeira a Senhora da Apresentação.

No Rio de Janeiro, o bairro do Irajá, era antigamente um vasto campo público, destinado à pastagem e descanso do gado que descia para o consumo da cidade. Em 1644 ali foi erigida uma pequena e humilde capela sob o patrocínio de Nossa Senhora da Apresentação pelo Pe. Gaspar da Costa, que foi mais tarde o seu primeiro Vigário e cujo pai possuía propriedades nos arredores. A igrejinha foi reformada, ampliada e transformada em paróquia, uma das mais antigas do Rio de Janeiro.

Oração à Nossa Senhora da Apresentação

Minha boa Mãe do Céu,
Nossa Senhora da Apresentação
que, aos três anos subistes
as escadarias do Templo
para vos consagrardes inteiramente a Deus,
praticando assim o ato de religião
o mais agradável ao Senhor,
seja-vos também agradável,
a nossa homenagem,
a nossa consagração.

Consagrastes ao Senhor,
ó Rainha do Céu,
o vosso espírito e vosso coração,
em flor de infância,
o vosso corpo e todas as potências do vosso ser
pelo sacrifício total,
o mais generoso e desinteressado,
pela mais solene imolação
que o mundo já viu,
antes da imolação do Calvário.

Nós, aqui na terra de exílio,
unimos aos espíritos celestes
que assistiram a esta augura cerimônia
que é como prelúdio de todas as vossas festas
e com eles e todos os santos
cantamos as glórias
da vossa Apresentação benditíssima.

Amém.

Nossa Senhora do Rosário

Lorenzo Lotto (1480–1557)
Lorenzo Lotto (1480–1557) – Óleo sobre tela
Galeria: Igreja de San Nicolo, Cingoli, Italy

Nossa Senhora do Rosário possui um devoção muito antiga. Teve origem com os Monges irlandeses no século VIII, que recitavam os 150 Salmos. Como os leigos não sabiam ler, os monges ensinaram a rezar 150 Pai Nossos, que mais tarde foram substituídos por 150 Ave Marias. Assim, a devoção, começou a se espalhar pelo mundo.

Em muitas aparições de Maria Santíssima, Ela pede, ensina e reza junto, a oração do Rosário, como em Lourdes, em Fátima e tantas outras.

Rosário de Nossa Senhora

A palavra Rosário quer dizer um tanto de rosas, um buquê de rosas que se oferece a Nossa Senhora. Cada Ave Maria é uma rosa que oferecemos à Mãe, com carinho e esperança. Assim, quando rezamos o Santo Rosário completo, oferecemos um buquê de duzentas rosas a Nossa Senhora.

A devoção de Nossa Senhora do Rosário

São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, foi o grande propagador do Rosário no início do século Xlll. A Igreja lhe conferiu o título de Apóstolo do Santo Rosário. Naquela época havia muitos hereges que desviavam os fieis da Igreja Católica. São Domingos, com a prática da oração do Rosário, a pedido de Nossa Senhora, começou a combater as heresias dos albingenses, que crescia vertiginosamente na França.

O Papa mandou vários missionários para combater os hereges, mas nada conseguiram. Somente São Domingos, com a criação de sua ordem e com a insistente oração do Rosário, é que conseguiu acabar com esses hereges. São Domingos dizia que em todas as orações do Rosário pedia a intercessão de Maria Santíssima para converter os hereges e com o passar dos anos conseguiu.

Obra de Caravaglio
Caravaglio (1607) Óleo sobre tela

A Batalha de Lepanto e a festa de Nossa Senhora do Rosário

O contributo de S. Pio V, um antigo dominicano, para a história do Rosário não se fica por aqui. O grande reformador criou também o último grande momento da antiga Cristandade, a unidade dos reinos cristãos à volta do Papa. Os turcos otomanos, depois do cerco e queda de Constantinopla em 1453, o fim oficial da Idade Média, e das conquistas de Suleiman, o Magnífico (1494-1566, sultão desde 1520), estavam às portas da Europa. Dividida nas terríveis guerras entre católicos e protestantes, a velha Europa não estava em condições de resistir. O perigo era enorme.

Além de apelar às nações católicas para defender a Cristandade, o Papa estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Em resposta, houve um intenso movimento de oração por toda a Europa. Finalmente, a 7 de Outubro de 1571 a frota ocidental, comandada por D. João de Áustria (1545-1578), teve uma retumbante vitória na batalha naval de Lepanto, ao largo da Grécia. Conta-se que nesse mesmo dia, a meio de uma reunião com os cardeais, o Papa levantou-se, abriu a janela e disse “Interrompamos o nosso trabalho; a nossa grande tarefa neste momento é a de agradecer a Deus pela vitória que ele acabou de dar ao exército cristão”.

A ameaça fora vencida. Este foi o último grande feito da Cristandade. Mas o Papa sabia bem quem ganhou a batalha. Para louvar a Vitoriosa, ele instituiu a festa litúrgica de ação de graças a Nossa Senhora das Vitórias no primeiro domingo de Outubro. Hoje ainda se celebra essa festa, com o nome de Nossa Senhora do Rosário, no memorável dia 7 de Outubro.

madonna-del-rosario-olio-su-telaNo decorrer da história

A Igreja seria ainda sacudida por muitas tempestades. Visando fortalecer seus filhos e prepará- los para suportar as grandes provações futuras, suscitou Deus uma alma de fogo com a missão de reacender a chama da devoção ao Rosário, o qual mais uma vez tinha caído no esquecimento. São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor da devoção à Mãe de Deus, exerceu sua missão profética um século antes da Revolução Francesa. As regiões nas quais se deram ouvidos à sua pregação foram as que melhor resistiram aos erros de sua época e conservaram íntegra a Fé.

Já no século XX, quando a Primeira Guerra Mundial estava em seu auge, Nossa Senhora veio, Ela mesma, em pessoa, lembrar aos homens que a solução para seus males estava ao alcance das mãos, nas contas do Rosário: “Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra”, repetiu Ela maternalmente aos três pastorzinhos, em Fátima. Na última aparição, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse quem era: “Sou a Senhora do Rosário”. E para atestar a autenticidade das aparições e a importância do Rosário, operou um milagre de grandeza nunca vista, presenciado pela multidão de 70.000 pessoas que estavam no local: o sol girou no céu, ao meio-dia, parecendo precipitar- se sobre a terra, retomando depois sua posição habitual no firmamento.

Milagres dessa magnitude, encontram-se apenas no Antigo Testamento. Mas nem assim o mundo deu ouvidos à Mãe de Deus. E nunca se abateram sobre a Terra tantas desgraças, nunca houve tantas guerras, nunca a desagregação moral chegou tão baixo.

Entretanto, o meio de obter a paz para o mundo, para as famílias, para os corações, continua ao alcance de nossas mãos, nas contas benditas do Rosário, que Maria Santíssima trazia suspenso de seu braço quando apareceu em Fátima.

Papa João Paulo II, o Papa de Nossa Senhora do Rosário.

João Paulo II dedicou todo o seu Pontificado a Maria Santíssima. Ele declarou logo no primeiro dia de seu pontificado: Totus tuus Mariae (Tudo é de Maria). A devoção a Nossa Senhora do Rosário foi amplamente difundida e divulgada. Ele acrescentou mais um conjunto de Mistérios ao Rosário – os Mistérios Luminosos – em uma Encíclica que escreveu sobre o Santo Rosário.

A Oração que veio do Céu

O que dá verdade e embasamento ao Santo Rosário, é que nos foi ensinado pelo próprio Jesus, por Maria Santíssima e pelo anjo do Senhor. O Pai Nosso foi ensinado por Jesus quando disse aos apóstolos: quando forem rezar, dizei: Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a sua vontade, assim na terra como do Céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje,  perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixeis cair em tentação, e livrai-nos de todo o mal. Amém.

A oração da Ave Maria, foi nos ensinada pelo Anjo Gabriel, que apareceu a Maria dizendo:  Ave Maria Cheia de graça, o Senhor é convosco. Santa Isabel, cheia do Espírito Santo, como nos diz Lucas, disse a Maria: bendita sóis vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus.  E a Igreja completou escrevendo: Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte amém.

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Nossa Senhora do Rosário Di Pompei

Atualmente o Santo Rosário é dividido em quatro conjuntos de mistérios, onde contemplamos os momentos da vida de Jesus e de Maria. Os quatro conjuntos de Mistérios são:

Mistérios Gozosos nos quais se contemplam a anunciação do Anjo a Maria; a visita de Maria a sua prima Isabel; o nascimento de Jesus em Belém; a apresentação de Jesus no templo; e Jesus perdido e achado no templo entre os doutores da lei.

Mistérios Dolorosos nos quais se contemplam a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras; a flagelação de Jesus; a Coroação de Espinhos; Jesus carrega a Cruz até o Calvário; a Crucificação e morte de Jesus.

Mistérios Gloriosos nos quais se contemplam a Ressurreição de Jesus; a sua Ascensão ao Céu; a vinda do Espírito Santo Sobre os Apóstolos e Maria; a Assunção de Maria ao Céu; a coroação de Maria.

Mistérios Luminosos foram escritos pelo próprio Papa João Paulo II, em sua carta apostólica, Rosarium Virginis Mariae, no ano de 2002. Nestes mistérios contemplam-se toda a Vida pública de Jesus: o Batismo no Rio Jordão; o Milagre nas bodas de Caná; a proclamação do Reino do Céu e o convite a Conversão; a Transfiguração de Jesus no Tabor; a Instituição da Eucaristia.

Milagres de Nossa Senhora do Rosário

A devoção a Nossa Senhora do Rosário atravessa os séculos, trazendo a Igreja para o lado de Maria Santíssima, que a leva para a Salvação de Jesus. O Rosário de Maria une a terra aos Céus. Maria Santíssima, em suas aparições, sempre insiste para que as pessoas rezem o Rosário, que é um dos caminhos para se chegar a Jesus e a Salvação eterna. O Santo Rosário é também uma poderosa arma de intercessão, um meio certo de se obter graças através da Virgem Maria.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito de Paraty/Rio de Janeiro/Brasil. Construída em 1725
Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito de Paraty/Rio de Janeiro/Brasil. Construída em 1725

A devoção no Brasil

A festa do Rosário de Nossa Senhora no Brasil está ligada a grupos negros que realizam os autos populares conhecidos pelos nomes de Congada, Congado ou Congos. Por essa vinculação aos negros, o Congado se tornou também uma festa de santos de cor, como São Benedito e Santa Efigênia.

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário chegou ao Brasil no século XVI. Em Santos, a igreja matriz já tem como padroeira Nossa Senhora do Rosário. No século XVII, esta mesma imagem de Nossa Senhora é a padroeira principal de Itu, Parnaíba e Sorocaba.

A partir do fim do período colonial, as irmandades do Rosário passam a ser constituídas pelos “homens pretos”.

No Brasil, ela foi adotada por senhores e escravos, sendo que no caso dos negros ela tinha o objetivo de aliviar-lhes os sofrimentos infligidos pelos brancos. Os escravos recolhiam as sementes de um capim, cujas contas são grossas, denominadas “lágrimas de Nossa Senhora”, e montavam terços para rezar.

Registra-se as seguintes datas de fundação das Irmandades dos Homens Pretos:

  • 1640 – Rio de Janeiro (cidade), Rio de Janeiro
  • 1708 – São João del-Rei, Minas Gerais
  • 1711 – Cidade de São Paulo. Sede atualmente localizada no largo do Paiçandu, região central. A entidade foi criada para abrigar a religiosidade do povo negro, impedido de frequentar as mesmas igrejas dos senhores, e resiste à urbanização, mantendo em seu calendário uma devoção secular a Nossa Senhora do Rosário. São realizadas procissões, novenas e rezas do terço, despertando o interesse dos que transitam pelas proximidades da avenida São João e da avenida Rio Branco.
  • 1713 – Cachoeira do Campo e Sabará, Minas Gerais
  • 1715 – Ouro Preto, Minas Gerais
  • 1728 – Serro, Minas Gerais
  • 1754 – Viamão, Rio Grande do Sul
  • 1771 – Caicó, Rio Grande do Norte
  • 1773 – Mostardas, Rio Grande do Sul
  • 1774 – Rio Pardo, Rio Grande do Sul
  • 1796 – Salvador, Bahia
  • 1782 – Paracatu, Minas Gerais

A Irmandade do Rosário possuía a seguinte hierarquia: a Mesa Administrativa, o Conselho de Irmãos, a Coorte e o Estado Maior com suas Guardas. Em alguns lugares, devido à perseguição promovida pelo clero, algumas destas irmandades desvincularam-se da Igreja Católica. Mais recentemente, em algumas dioceses há uma reaproximação, através da Pastoral Afro-Brasileira.

Com quase três séculos de existência, a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos é uma referência para movimentos de consciência negra, porque apresenta uma tradição religiosa que remonta aos tempos dos primeiros escravos

A história da concepção de Maria

A história da concepção e da infância da Virgem Maria faz parte dos chamados Evangelhos da Infância: proto-evangelho de Tiago – escrito entre 140-170 d.C., versão mais antiga conhecida do séc. III – e o de Pseudo-Mateus – séc. IV ou V – ambos os livros apócrifos.
Neles encontramos narrativas que descrevem as circunstâncias envolvendo a concepção e nascimento da Virgem.
Imagem de Giotto di Bondone, Cenas da Vida de Joaquim: Anunciação à Santa Ana, 1304-06, afresco, Capela Scrovegni Pádua. Imagem da Web Gallery of Art – ver datalhes de outras imagens – efetuar busca por Giotto – ver o conjunto de obras das cenas da vida de Joaquim.

Ana e Joaquim já estavam casados há cerca de vinte anos sem que conseguissem ter filhos, o que entre os judeus da época era visto quase como uma maldição. Certa feita, Joaquim teve sua oferenda recusada no templo, já que, por não ter filhos, ele não parecia estar nas boas graças do Senhor. Decepcionado e sentindo que aquela era ainda mais uma punição do Senhor, Joaquim decidiu se retirar para as montanhas com seu rebanho, abandonando Ana. Isto segundo Pseudo-Mateus. De acordo com o Evangelho de São Tiago, Joaquim teria se recolhido em retiro, jejuando e se abstendo da companhia da mulher.

Ana que já não tinha filhos, se viu também abandonada pelo marido e resolveu orar, pedindo ajuda ao Senhor. Em resposta às suas preces, apareceu um anjo do Senhor que a tranqüilizou, avisando que suas preces tinham sido ouvidas e que em breve seu marido retornaria e eles teriam o tão esperado filho. O mesmo anjo apareceu a Joaquim na montanha, para onde ele havia se retirado com seu rebanho, instruindo-o a voltar para casa por que Ana, sua mulher, havia concebido o filho que tanto desejava.

Joaquim obedeceu prontamente e, ao encontrar com Ana, os dois teriam se abraçado e trocado um beijo no rosto – momento que foi, erroneamente, retratado como o instante em que se teria dado a concepção de Maria. Segundo ambos evangelhos, portanto, a semente que gerou Maria, no ventre de Ana foi plantada pelo Senhor.

O Catecismo da Igreja Católica, assim se expressa:
“Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que
Maria, ‘cumulada de graça’ por Deus, foi redimida desde a
concepção. É isso que confessa o dogma da Imaculada
Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX”

 

Existem outras teorias e doutrinas sobre a concepção de Maria e uma das principais delas é de São Tomaz de Aquino Leia o documento em formato PDF.

 

Texto original: Márcia Bonnet –Univ.Federal do Rio Grande do Sul.

Ver online alguns livros apócrifos: gnosis.org, earlychristianwritings.com, ccel.org e metareligion.org.