Nossa Senhora e a lua sob os pés

madonna_bambinoNossa Senhora levando o Menino Jesus é símbolo da Igreja. A Igreja aparece em pé sobre a lua minguante para sublinhar que seus fundamentos são o Antigo Testamento. Sem dúvida, é também um símbolo da vitória da Igreja sobre a Sinagoga.

Na iconografia, Nossa Senhora passou a representar também a Igreja herdando seus atributos. O manuscrito Gradual de São Katharinental de 1312 apresenta uma imagem de transição, onde a mesma figura feminina contém ou têm os atributos simultaneamente da Igreja, de Maria e da Mulher do Apocalipse.

As primeiras representações da Igreja nos séculos X-XII a apresentam como a mulher apocalíptica enfrentando o dragão. O motivo da mulher apocalíptica é aplicado em uma variedade de formas a Maria.

Por volta de 1348 espalhou-se um tipo de escultura mariana chamada Madonna que pisa a lua crescente (Mondsichel-Madonna), onde a representação da mulher do Apocalipse dispensa o uso do símbolo da lua.

Por vezes, como por exemplo nas representações do Platytera (ícone que pinta a Nossa Senhora orante), faz-se a oposição do sol (o Salvador) que nasce de Maria de um lado, e da raça humana que precisa de salvação (lua) de outro (Katharinental, 1312).

Imaculada Conceição (1588, Dom von Montalcino)
Imaculada Conceição (1588, Francesco Vanni, Montalcino)

A lua crescente também é usada nas representações da conceição milagrosa de Maria e de seu nascimento (São Joaquim e Sant’Ana na Porta Dourada, Camerino, Tadino, 1470)

A lua crescente aparece acalcada sob os pés de Maria em pinturas da Assunção (Meister de Luzien-Legende, 1485) e significa a sua glória e vitória sobre o tempo e o espaço.

A aplicação mais importante do símbolo da lua ocorreu nas representações da Imaculada Conceição.

A importância óbvia da vitória sobre o pecado é enriquecida com as ideias de beleza e pureza. “Pulchra ut luna”, “bela como a Lua” recita o Ofício Parvo; ou também na Ladainha Lauretana (por exemplo, Francesco Vanni, Altar da Imaculada Conceição, Montalcino, 1588).

No período barroco é frequente encontrar a Imaculada representada como Nossa Senhora da Vitória, contra os turcos ou contra os protestantes e, em geral, contra as forças do mal a serviço do Anticristo e de seus asseclas na História.

 

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O início e os porques

O começo desta história aconteceu na minha viagem à Europa em junho de 2008, quando eu tive a oportunidade de conhecer de perto um pouco da cultura religiosa católica.

Viajei por cidades históricas italianas, como Florença, Roma, Pisa, Pádua e Assis. Visitei o museu do Vaticano e a Basílica de São Pedro e o que me fez decidir elaborar uma pesquisa foi a visita que fiz a Assis terra de São Francisco de Assis e Santa Clara.

Eu sou católico batizado na Igreja de Nossa Senhora de Loreto – padroeira dos aviadores e também sou protestante batizado na Igreja Metodista – fundada por John Wesley. Meu pai era católico e minha mãe protestante, isso ajudou na minha formação religiosa, mesmo com dogmas tão diferentes um do outro – posso dizer que sou católico protestante – na Irlanda isto seria inconcebível.

Já no Brasil tive experiências muito interessantes até ser conduzido espontaneamente ao movimento da Chama de Amor do Imaculado Coração de Maria – ver meu blog.

Outra curiosidade: antes de viajar para a Europa tive o primeiro contato com Nossa Senhora do Bom conselho, exatamente no dia da santa – 26 de abril.
Há exatos doze meses comecei a pesquisa sobre a história de Maria, mãe de Jesus ou popularmente conhecida como Nossa Senhora. Interessou-me as suas influências e transformações na cultura dos povos de todo o mundo ao longo de vinte séculos.

O interessante foi perceber que Nossa Senhora é uma só e os povos católicos do mundo deram à Virgem Maria várias faces, imagens iconográficas e nomes. Contribuíram e agregaram à imagem um pouco da sua cultura e valores que perpetuam a fé do homem na Mãe de Jesus, filho de Deus.
As demais religiões cristãs tem as referências bíblicas de Maria e não há imagens que simbolizam a devoção – é um conjunto de fatos históricos que unem Maria, Jesus e diretamente Deus.

Os artigos e referências dos fatos que permeiam as questões iconográficas são apresentados de forma simples e direta, com textos históricos, imagens, vídeos, documentos, breve histórico e as fontes da pesquisa.

Referências: A imagem deste artigo – A Virgem Maria, miniatura extraída do Livro das Horas da Bem-aventurada Virgem Maria, escrito e ilustrado na França, século XV, Catedral de Canterbury – clique na imagem para ampliar.