Nossa Senhora de Vagos

Nossa_Senhora_de_VagosNossa Senhora de Vagos (ou Santa Maria de Vagos) é uma designação pela qual é conhecida, na Igreja Católica na região de Vagos, em Portugal, a Virgem Maria, mãe de Jesus, pelos católicos ou outras pessoas que lhe tem devoção. O Santuário fica situado na vila portuguesa de Vagos é um local de devoção popular mariana e centro de peregrinações que remonta aos meados do século XVI.

Todavia, o aspecto global que hoje apresenta provém de várias remodelações efetuadas ao longo dos séculos. As invocações da Mãe de Jesus neste local tem as suas origens nos primórdios da nacionalidade portuguesa. Todos os documentos escritos, desde Abril de 1190 a 22 de Fevereiro de 1505, registram invariavelmente que existia uma ermida ou igreja, que ao longo dos séculos teve várias invocações: Nossa Senhora das Cerejas, Nossa Senhora do Bodo, Nossa Senhora da Conceição, da Rosa, Santa Maria de Vagos e recentemente Nossa Senhora de Vagos. 

Em 18 de Janeiro de 1537 surgiu pela primeira vez nas fontes históricas o título de Nossa Senhora da Conceição de Vagos. Sobre a localização exata da primeira ermida a tradição oral e escrita aconchega-se às Paredes da Torre. A inscrição lapidar parece identificar uma antiga construção no século XII.

Quanto á origem do santuário existem dúvidas e várias lendas, mas existem documentos autenticando que o primitivo Santuário e o culto aí promovido remonta à fundação da nacionalidade. Em Abril de 1190, entre títulos e doações e de outros bens pertencentes ao Couto de São Romão de Vagos, surge no Arquivo da Torre do Tombo uma carta na qual D. Fernando Joanes e sua mulher D. Maria Mendes fazem doação à igreja e com todo o seu couto, montes, fontes, prados e caminhos.

A Lenda das Origens da Imagem e da Ermida.

Por volta do ano 1185, sendo então rei de Portugal Sancho I, um navio gaulês fustigado por vagas alterosas naufragou perto da costa dos extensos areais de “Vacuus”. De toda a carga salvou-se apenas uma valiosa escultura de Santa Maria com o Menino Jesus ao colo e uma rosa na mão direita. Avançando pelo areal adentro os náufragos sobreviventes deparam a uns quilômetros da praia um tufo arbóreo verdejante. É nele que ocultam da avidez dos piratas e mouros a santa imagem que transportavam consigo. Envolvida no manto entretecido ali a deixaram, e partiram para a Esgueira, a mais destacada povoação daqueles tempos remotos. Ali suplicam ao sacerdote da terra que organize uma procissão solene a fim de trazer a imagem para a igreja local. Revestidos de festa, dirigiram-se ao local assinalado, mas nada encontraram apesar de buscas minuciosas e persistentes. Segundo a lenda, o sítio exato do escondimento da imagem foi revelado em sonhos a um lavrador corcunda. Estes, depois de ter sido miraculosamente curado, decide às suas expensas construir a primitiva ermida.

A Ermida de Nossa Senhora de Vagos.

Tomando conhecimento deste fato em Viseu, D. Sancho I, mediante um sonho e inspirado pela Virgem Maria enceta numa peregrinação até terras de Vagos. Foi por ordem régia que ali se construiu uma ermida e perto dela uma torre militar em forma quadrada para defesa dos ermitões e devotos. O rei dota o santuário de propriedades e rendas, e faz doação do mesmo aos frades de Grijó. Os sucessivos priores do Mosteiro de Grijó, entre 1200 a 1834, assumiram o encargo de nomear presbíteros para o serviço pastoral do Santuário. Este tinha o título de Administrador Perpétuo da Comenda de Santa Maria de Vagos.

Referências

  1. Carvalhais, Manuel António, Santa Maria de Vagos, (Coimbra, GC 2000) pg 9
  2. Frei Agostinho de Santa Maria, Nossa Senhora da Conceição de Vagos, – ‘Santuário Mariano’, 1712, Livro II, Título CVII, pg. 689
Anúncios

Nossa Senhora do Bom Encontro

nossa-senhora-do-bom-encontroNossa Senhora do bom encontro também conhecida como Nossa Senhora de Laus ( Alpes franceses)

As aparições de Nossa Senhora a uma pobre pastora, Benoîte Rencurel, são extraordinárias pela simplicidade da jovem e pela atitude da Santíssima Virgem para com a vidente. Muito criança ainda, Benoîte já revelava grande virtude. Fatos fora do comum caracterizaram sua infância, e são tão numerosos que se torna difícil enumerá-los.

Um dia em que guardava seu rebanho num lugar afastado, dois homens quiseram aproveitar-se disso para ultrajá-la. A menina procurou fugir, correndo para o lado de um grande pântano, mas seus próprios perseguidores viram-na atravessar o lamaçal sem afundar e nem mesmo molhar os pés.

Quando completou 17 anos, na primavera de 1664, Nossa Senhora apareceu-lhe pela primeira vez. Benoîte dirigiu-lhe a palavra, mas a Virgem somente falou com ela após numerosas aparições. Estabeleceu-se entre as duas como que uma amizade sobrenatural, que durou até o fim da vida de Benoîte. É difícil saber-se exatamente o que queria a Santíssima Virgem com os diálogos que mantinha com a vidente. Apertava-lhe a mão com freqüência e lhe oferecia a borda do manto para que a jovem aí repousasse.

Benoîte nunca perdeu sua simplicidade. Certa ocasião a Mãe de Deus pediu à pastora um belo carneiro e uma grande cabra.

— O carneiro, bela Senhora, eu vos darei e o descontarei do meu ordenado. Mas a cabra, não. Ela me faz falta. Mesmo que a Senhora me ofereça trinta escudos por ela, eu não a cederei.

Outra vez Nossa Senhora mandou Benoîte à missa, e enquanto ela permaneceu na igreja seu rebanho foi para outro lugar. Ao regressar, procurou-o ansiosamente e começou a chorar. Mas Nossa Senhora apareceu e lhe disse, devolvendo os carneiros:

— Tu me agradaste, porque não ficaste impaciente. Eu só quis provar tua paciência.

Como as notícias desses fatos começassem a se espalhar e fossem iniciadas sindicâncias, Nossa Senhora disse a Benoîte que fosse para Laus. Lá o povo era muito piedoso, e venerava havia anos, numa capela, Nossa Senhora do Bom Encontro. Nessa capela, Benoîte voltaria a vê-la.

Na capela paupérrima, que Nossa Senhora prometeu que se tornaria uma grande igreja, Benoîte recebeu a ordem de rezar muito pelos pecadores. Milagres sem conta tiveram início, e com eles as peregrinações. E também a primeira perseguição a Benoîte. Os clérigos da catedral de Embrun, centro de grandes romarias, enciumaram-se com o fervor de Laus e levantaram objeções à devoção a Nossa Senhora do Bom Encontro. Moveram assim um inquérito sobre a vidente. Cheia de medo, Benoîte chamou a Santíssima Virgem em seu socorro. Esta lhe disse que respondesse a tudo que as pessoas da Igreja perguntassem, mas que não tivesse receio de nada:

— Os padres podem dar ordens a meu Filho, mas não a mim.

lausDe fato, após um processo severíssimo, Benoîte foi considerada inocente. E a pequena capela de Laus foi crescendo, de tal forma que em 1891 Leão XIII a erigiu em Basílica Menor. Uma das graças a ela concedida pela Mãe de Deus foi o poder do óleo da lâmpada do sacrário, de curar qualquer moléstia.

Benoîte viveu 71 anos, inteiramente dedicados à Santíssima Virgem. Sua vida foi uma visão contínua. Rezava ininterruptamente, e suas penitências eram severíssimas. Possuindo o dom dos milagres e de ler nas consciências, converteu numerosas pessoas. Horrivelmente perseguida pelo demônio, chegou a derramar lágrimas de sangue. Além disso, quando os primeiros missionários de Laus morreram, foram substituídos por padres jansenistas, que por vinte anos perseguiram a vidente e a devoção a Nossa Senhora.

Mas Nossa Senhora consolava sua filha em meio a tanto sofrimento. Talvez poucas pessoas tenham tido o contato com o sobrenatural que ela teve. Toda a corte celeste lhe fazia companhia: São Gervásio, Santa Bárbara, São José, Santa Catarina de Siena a ela se dedicavam com toda simplicidade; os anjos a ajudavam a limpar a capela, recitavam com ela o Rosário e lhe traduziam para o francês trechos de salmos latinos. Gracejavam gentilmente com ela e a distraíam, evitando que exagerasse suas macerações. Uma vez que ocultaram sua disciplina, ela se queixou a Nossa Senhora:

— Isto me custou quatro francos…

Outra ocasião, um anjo repreendeu-a por um zelo impaciente, e ela respondeu com toda segurança:

— Se tivésseis um corpo como nós, belo anjo, veríamos o que faríeis.

Nossa Senhora apareceu-lhe em meio a grande número de anjos, que conversavam entre si. Benoîte não hesitou:

— Calai-vos agora e deixai falar vossa Mãe.

Benoîte, que também recebeu os estigmas da crucifixão, morreu dias após o Natal de 1718. Quando ela expirou, todo o vale de Laus foi inundado de inigualável perfume.

Nota: 146 anos depois de Lourdes, a Igreja francesa reconheceu oficialmente o caráter sobrenatural das aparições de Nossa Senhora de Laus.

Nossa Senhora do Caminho

theotokos_hodegetria_14th_c_serbiaA imagem inspirada e inspiradora que aponta Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida

Um dos mais inspirados e belos ícones marianos de toda a história do cristianismo nos apresenta Maria, Mãe de Deus, segurando o Menino Jesus em um dos braços e, com a outra mão, apontando para Ele como quem indica O Caminho da Salvação – que é o próprio Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

É justamente por isto que esse ícone se tornou conhecido como “Hodegétria” ou “Hodigítria“, palavra que, em grego (Οδηγήτρια), quer dizer “A Mostradora do Caminho“.

Na tradição ocidental, as imagens que representam Maria e o Menino Jesus nessa mesma posição e com esse mesmo significado deram origem à devoção a Nossa Senhora do Caminho.

Não existe apenas um ícone específico chamado Hodegétria: o termo é usado em referência a todos os ícones que propõem essa mesma mensagem, ou seja, a mensagem de que Nossa Senhora indica o Menino Jesus como Caminho. Existe uma vasta gama de variações da Hodegétria, especialmente no cristianismo ortodoxo.

O ícone original era custodiado no Mosteiro da Panágia Hodegétria, em Constantinopla, atual Istambul. Esse mosteiro foi construído especialmente para abrigar o ícone, que, ao contrário da maioria das versões posteriores, mostrava Nossa Senhora em pé e não sentada.

Conta-se que o ícone original teria sido pintado pelo evangelista São Lucas, conhecido como o “retratista de Maria“, e que fora levado da Terra Santa pela imperatriz-consorte Eudóxia. Esse primeiro ícone tinha dois lados: além da imagem da Hodegétria propriamente dita, trazia no reverso uma imagem da crucificação de Jesus. Alguns autores sustentam que se tratava do objeto de culto mais importante do Império Bizantino. O mais provável é que o ícone original tenha se perdido com o passar dos séculos, mas várias tradições afirmam que ele foi levado para a Rússia ou para a Itália.

teotoco-de-vladimirO que é fato é que, na Rússia e em outras nações eslavas, espalhou-se um grande número de versões dessa preciosa imagem, originando alguns dos mais venerados ícones do cristianismo ortodoxo. A partir da Hodegétria se desenvolveu, por exemplo, a Panágia Eleusa, doce imagem em que o Menino Jesus é representado encostando o nariz ou a boca na bochecha da mãe Maria, que, por sua vez, se inclina carinhosamente em direção ao Filho. A palavra grega “Panágia” quer dizer “Santíssima”, ou, literalmente, “Toda Santa”; já “Eleusa”, também em grego, significa “Misericordiosa” ou “Terna”. Versões famosas desta variante da Hodegétria incluem a “Teótoco de Vladimir” (na imagem abaixo) e a “Teótoco de São Teodoro“. O termo grego “Teótoco” ou “Theotókos” quer dizer “Portadora de Deus”, no sentido de “Mãe de Deus”.

Nossa Senhora do Alívio

n-s-alivioOrigens

Em 1790 o Pe. Francisco Xavier Leite Fragoas era pároco de São Miguel de Soutelo, na arquidiocese de Braga. De acordo com Leonídio de Abreu em seu livro “O santuário do Alívio” (Braga, 1958), o pároco era membro de uma família nobre e muito caridosa. Era gentil e caridoso com o povo, sempre procurando renunciar a toda ostentação e vaidade. Ele se preocupava muito em manter a igreja matriz limpa e bonita, simplesmente porque sabia que a igreja é a casa do Senhor.

 A grave enfermidade

Um dia, o Padre ficou doente a ponto de não conseguir se levantar da cama. Assim, chamaram muitos médicos, e ele foi diagnosticado com doenças gravíssimas. Dia após dia o padre piorava cada vez mais, sem que os médicos encontrassem a cura. Contudo, o padre não queria falecer e deixar suas realizações na igreja matriz inacabadas. Assim, sendo um fervoroso devoto da Virgem Santíssima, ele pede a ela a cura de suas enfermidades, prometendo construir um templo em sua homenagem.

A aparição de Maria

Numa linda manhã, o assistente do Pe. Xavier vai ao quarto do padre para lhe servir seu almoço, e, ao se aproximar da porta do quarto, vê uma forte luz passar por lá. Ele ficou bastante intrigado, já que sabia que não havia ninguém com o padre naquela hora, e que as janelas estavam fechadas. Ele esperou alguns segundos para decidir o que fazer e então resolveu entrar no quarto. Ao entrar, o auxiliar não encontrou a tal claridade, mas viu que o padre possuía um olhar mais vivo, um espírito mais calmo, uma voz mais audível, e sorriso esperançoso no rosto. Percebendo a curiosidade estampada na cara de seu assistente, o padre pergunta se ele tinha visto algo diferente. O assistente diz então que avistou uma luz extremamente brilhante passando debaixo da porta do quarto do padre. O padre então resolve contar a ele o acontecido: “Foi Nossa Senhora que me apareceu! Esteve aqui no quarto, eu vi-a! Ela me curará e assim eu poderei concluir as obras da igreja!” Desde então, o padre melhorou rapidamente, logo voltando às suas funções na paróquia.

sra-alivioComeçando a cumprir as promessas

Tendo recebido a graça de Maria, o padre viu que era hora de cumprir suas promessas. Ele queria construir a maior capela que seu dinheiro permitisse. Assim, no ano de 1794 escreveu uma carta ao D. Frei Caetano Brandão, arcebispo de Braga, requisitando autorização para construir uma capela em louvor de Maria Santíssima no lugar onde ficava a Gândara, deixando dinheiro suficiente para a construção e a manutenção da capela. A solicitação não foi atendida, fato que fez com que ele insistisse de novo com o bispo, dizendo que a referida capela seria para veneração a Nossa Senhora do Alívio.

A construção da capela

Assim, no dia 18 de agosto de 1794, o arcebispo concede autorização para a construção da capela. Ao ficar sabendo, o padre já começa a construção, e, no dia 18 de junho de 1798, comunica ao arcebispo de Braga pedindo suas bênçãos e dizendo que concluiu a construção da capela. A consagração da Capela de Nossa Senhora do Alívio ocorreu no dia 7 de setembro do de 1798. Nesse dia houve uma  grande festa em Soutelo, onde várias autoridades da igreja estiveram presentes, junto com uma grande multidão. Houve uma procissão para levar a imagem de Nossa Senhora do Alívio saindo da igreja matriz de Soutelo até a capela construída, na companhia de doze apóstolos e doze anjos.

Devoção a Nossa Senhora do Alívio

A devoção a Nossa Senhora do Alívio começou no ano de 1798, quando o Padre Xavier havia terminado de construir a igreja em sua homenagem. Foi colocada uma imagem de Nossa Senhora do Alívio na igreja, o que fez com que a devoção a ela aumentasse ainda mais. Depois disso, no ano de 1800 foi fundada uma confraria. Segundo Leonídio de Abreu, “De aí por diante, gente de perto e de longe acorria diariamente a venerar a Virgem, que, por sua vez, derramava abundantes graças sobre todos os que imploravam a sua divina proteção”.Especialmente as grávidas adotaram Senhora do Alívio como protetora.

As festas em homenagem à Virgem

Não demorou muito para que a grande quantidade de devotos se transformasse em romarias bastante fervorosas. As festas para Nossa Senhora do Alívio ocorrem no segundo e no terceiro domingos de setembro. Os Estatutos ordenam que a festa tenha “pelo menos, missa cantada com acólitos e sermão”.

Oração a Nossa Senhora do Alívio

“Senhor Jesus Cristo, Mediador nosso junto do Pai, que, pelo poder do Espírito Santo, Vos dignastes escolher a Virgem Santíssima, Vossa Mãe, que invocamos como Senhora do Alívio, nossa Medianeira e auxílio nas doenças e preocupações, concedei misericordiosamente a quem por ela Vos invoca, procurando as Vossas graças, se alegre de as receber para louvor da Vossa Glória. Amém.”

Nossa Senhora de Nazaré

nazare0
Representação da aparição de Nossa Senhora da Nazaré, em Portugal, e do milagre com o nobre guerreiro D. Fuas Roupinho.

A devoção teve início com uma famosa aparição e milagre ocorridos em Portugal e espalhou-se pelas colônias portuguesas. No Brasil, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré tem grande expressão em Belém (Pará) através do Círio de Nazaré, que se tornou uma das maiores procissões católicas do mundo, reunindo anualmente cerca de dois milhões de pessoas.

Origem da devoção em Portugal

Segundo a tradição, a sagrada imagem de Nossa Senhora da Nazaré foi esculpida por São José, sendo mais tarde pintada por São Lucas. No século sexto foi levada para a Espanha permanecendo no Mosteiro de Cauliniana, perto de Mérida, até 711, ano em que após a batalha de Guadalete foi levada para Portugal, onde permaneceu escondida, quase ignorada numa gruta do litoral, até ao ano de 1182, quando o cavaleiro D. Fuas Roupinho, por sua interseção, foi salvo milagrosamente, conforme conta a Lenda da Nazaré. O título desta invocação veio a dar o nome à vila da Nazaré, onde a imagem é venerada no Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Esta devoção foi conhecida em todo o Império Português, sobretudo devido à ação evangelizadora dos Jesuítas que consagraram a Nossa Senhora da Nazaré a sua principal casa de noviciado, em Lisboa, a capital do Império.

Imagem em azulejos na Capela de N. Sra. da Nazaré de Cortegaça - Portugal
Imagem em azulejos na Capela de N. Sra. da Nazaré de Cortegaça – Portugal

Devoção no Brasil
Em Saquarema 

No ano de 1630, no dia 8 de setembro, após uma forte tempestade, um pescador saiu para ver suas redes próximo ao mar de Saquarema. Ao passar pela colina, onde hoje está erguida a Matriz encontrou próximo ao Costão, morro de pedras que fica localizado no centro da cidade, uma forte luz. Decidiu então chegar mais próximo e encontrou uma imagem de Maria (Mãe de Jesus, deu-lhe então o título Nossa Senhora de Nazaré.

 Saquarema é o berço da devoção à Senhora de Nazaré no Brasil,em nosso país foi aqui que tudo começou, de Portugal a devoção veio direto para Saquarema. Até os dias de hoje esta verdadeira e única imagem encontra-se em sua Matriz sendo cercada de amor, e encontra-se revestida com seu tradicional e rico manto, símbolo desta devoção, reinando através dos séculos com quase 400 anos de história, fé e devoção. Existe uma comoção popular para que a Excelsa Virgem um dia seja proclamada Padroeira do Estado do Rio de Janeiro.
Imagem Nossa Senhora Nazaré de Belém(PA)
Imagem Nossa Senhora Nazaré de Belém(PA)

No Pará
A devoção à Nossa Senhora de Nazaré é de origem portuguesa. Introduzida no Pará pelos jesuítas, há mais de 200 anos é cultuada na festa do Círio de Nazaré.

Consta que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada pelo caboclo Plácido José de Souza no ano de 1700, às margens do igarapé Murucutu. Plácido a levou para sua casa e no dia seguinte a imagem havia desaparecido. O caboclo tornou a encontrá-la no igarapé, recolhendo-a novamente. O fato repetiu-se duas vezes até que foi construída uma pequena capela no local. Com o aumento da devoção, foi construída a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré nesta localidade, hoje Belém do Pará.

Em Belém ocorre todos os anos o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e reúne mais de 2 milhões de fiéis que seguem esta imagem que é levada par à Casa de Deus, onde termina a procissão e há uma missa com todos os devotos.

Procissões semelhantes ocorrem no estado em Cametá, Marabá, Aurora do Pará,Mãe do Rio, Macapazinho, São Miguel do Guamá,Souré, São João de Pirabas, Vigia e também em Portel no Marajó.

Nossa Senhora de Nazaré também é cultuada na região norte, nordeste, sudeste e em Brasília , onde um grupo de paraenses introduziu o círio em 1960.

Nossa Senhora do Pilar

pilar1
Virgem do Pilar – Ximenez de Maza

A História.

Quando Jesus pediu para os discípulos se reunirem na Galileia para as últimas recomendações, disse-lhes: “Foi me dado todo poder no céu e na terra. Ide, pois ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até o mundo.” (Mateus 28,17-20).

Podemos supor que os apóstolos se reuniram para fazer a distribuição dos trabalhos missionários e cada apóstolo recebeu uma região para levar o nome de Cristo. Na hora da partida, teriam solicitado as bênçãos de Maria como verdadeira Mãe.

São Tiago recebeu a incumbência de levar o nome do Salvador às províncias romanas da Espanha. Como os demais apóstolos fizeram, ele foi solicitar as bênçãos maternais a Maria Santíssima. Conforme narra à tradição, Nossa Senhora teria dito a ele: “Vai, meu filho, cumpre a ordem de teu Mestre e por Ele te rogo que naquela cidade da Espanha, em que maior número de almas converteres à fé, edifique em minha memória um templo no lugar que então indicarei”.

Tiago seguiu, então, para a Península Ibérica e pregou o nome de Jesus em muitas cidades. Mas foi na cidade de Zaragoza, às margens do rio Ebro, que seu trabalho foi coroado de êxito. Entre os convertidos ao cristianismo, estavam oito rapazes que passaram a ajudar Tiago em sua missão. À noite, reuniam-se para orar.

Conta-se que, certa noite depois de suas orações, Tiago foi repousar e acordou com vozes angelicais cantando a Ave Maria. Ele se ajoelhou e em seguida a Mãe de Deus sentada em um pedaço de coluna de mármore. Maria o convidou para se aproximar e lhe mostrou o lugar onde queria que fosse edificada a igreja. Disse-lhe que conservasse aquela coluna na qual estava sentada e a colocasse no altar do templo, pois aquele pilar permaneceria ali para sempre. O apostolo agradeceu à Mãe de Deus pelo imenso favor daquela manifestação (na realidade, uma bilocação, pois Maria ainda vivia). Essa é considerada a primeira aparição de Nossa Senhora.

Ajudado pelos oito rapazes, Tiago deu início à construção de uma capela, voltada para o Rio Ebro, colocando o pilar na parte superior do altar. Mais tarde, construiu-se ali, em Zaragoza, uma grande e majestosa basílica, em honra à Rainha do Céu, existente até hoje. Com o decorrer dos anos, nasceu à devoção a Nossa Senhora do Pilar, que logo se espalhou por todo o país e hoje é venerada como padroeira da Espanha.

Aparição da  Virgem a São Tiago e seus discípulos zaragozanos - Pintura de Goya
Aparição da Virgem a São Tiago e seus discípulos zaragozanos – Pintura de Goya

O Pilar de Luz

Então vi subitamente aparecer por cima do Apóstolo um esplendor no céu e Anjos que entoavam um magnífico canto e transportavam uma coluna resplandecente, que da base projetava um raio fino de luz sobre um lugar, alguns passos distante de Tiago, como para indicar esse ponto. A coluna tinha um brilho vermelho, era atravessada por muitas veias, muito alta e delgada, terminando em cima como um lírio, que se abre em línguas de luz, das quais uma raiava longe, em direção a Compostela, a oeste, as outras, porém, para as regiões próximas. (Formando assim um pilar)

Nessa flor de luz, vi a figura da Santíssima Virgem em pé, como sempre ficava em vida na terra, durante a oração, toda branca e transparente, com um brilho mais belo e suave que o da seda branca. Estava de mãos postas, uma parte do longo véu cobria-lhe a cabeça, a outra parte, porém, envolvia-a até os pés, de modo que com os pés delicados e pequenos estava sobre as cinco pétalas da flor da luz. Era um quadro indizivelmente doce e belo.

Vi que Tiago, orando de joelhos, levantou os olhos e recebeu interiormente de Maria a ordem de, sem demora, construir nesse lugar um templo, em que a intercessão de Maria se firmasse como uma coluna.

Ao mesmo tempo lhe anunciou a Virgem Santíssima que, depois de acabar a construção da Igreja, devia ir a Jerusalém, Tiago levantou-se, chamou os discípulos, que já tinham visto a luz e correram para junto dele e comunicou-lhes a aparição milagrosa e todos seguiam com os olhos o esplendor que ia desaparecendo.

Tendo executado em Zaragoza a ordem de Maria, Tiago constituiu uma comissão de doze discípulos, entre os quais também homens doutos, que deviam continuar a obra, que começara com tantas dificuldades e tribulações.

Em seguida partiu da Espanha para Jerusalém, como lhe ordenara a Virgem.

Nessa viagem visitou em Éfeso Maria, que lhe predisse a morte próxima, em Jerusalém, consolando e confortando-o. Tiago despediu-se de Maria e do irmão e continuou a viagem para Jerusalém, onde foi decapitado.

Sepulcro de São Tiago
Sepulcro de São Tiago

O corpo do Apóstolo São Tiago

O corpo do Apóstolo esteve algum tempo num sepulcro perto de Jerusalém. Quando, porém, se levantou uma nova perseguição, levaram-no alguns discípulos, entre os quais José de Arimatéia e Saturnino, para a Espanha. Mas a perversa rainha Lupa, que já antes perseguira S. Tiago, não quis permitir que o sepultassem ali.

Os discípulos tinham posto o santo corpo sobre uma pedra, que sob ele formou então uma cavidade, como um sepulcro. Sucedeu também que outros cadáveres, sepultados ao lado, foram lançados fora da terra. Lupa acusou os discípulos perante o rei, que os mandou prender; mas escaparam milagrosamente e o rei que os perseguia com cavalaria, passou sobre uma ponte, que desabou, morrendo ele com todos os companheiros. Lupa assustou-se tanto com esse fato, que mandou dizer aos discípulos que prendessem e atrelassem touros bravos num carro; onde estes levassem o corpo, ali poderiam construir uma Igreja. Esperava que os touros bravos destruíssem tudo. Um dragão opôs-se na região deserta aos discípulos, mas morreu fulminado, quando fizeram o sinal da cruz; os touros bravos, porém, tornaram-se mansos, deixaram-se atrelar ao carro e levaram o santo corpo ao castelo de Lupa. Ali então foi sepultado e o castelo transformado em Igreja, pois lupa converteu-se, confessando a fé cristã, com todo o povo.

No sepulcro do santo Apóstolo aconteceram muitos milagres. Mais tarde lhe foram transferidos os ossos para Compostela, que se tornou um dos mais afamados lugares de peregrinação. S. Tiago pregou cerca de quatro anos na Espanha.

A construção do Templo

Segundo uma antiga tradição, desde os primórdios de sua conversão, os cristãos primitivos ergueram uma capelinha em honra da Virgem Maria, às margens do rio Ebro, na cidade de Zaragoza, Espanha.

A capelinha primitiva foi sendo reconstruída e ampliada com o correr dos séculos, até se transformar na grandiosa basílica que acolhe, como centro vivo e permanente de peregrinações a numerosos fiéis que, de todas as partes do mundo, vêm rezar à Virgem e venerar seu Pilar.

Basílica Nossa Senhora do Pilar - Zaragoza - Espanha
Basílica Nossa Senhora do Pilar – Zaragoza – Espanha

Basílica de Zaragoza as margens do rio Ebro – Espanha

Muito para além dos milagres espetaculares, a Virgem do Pilar é invocada como refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, Mãe da Espanha.

Sua ação é, sobretudo espiritual.

A devoção ao Pilar tem uma enorme penetração na Ibero-américa, cujos países celebram o dia do descobrimento de seu continente a 12 de outubro, isto é, no dia do Pilar.

A Basílica fica aberta o dia inteiro, mas nunca faltam os fiéis que chegam ao Pilar em busca de reconciliação, graça e diálogo com Deus.

É popular na Espanha, especialmente a região de Aragon, a jaculatória:

“Bendita seja a hora em que a Virgem veio em carne mortal a Zaragoza”.

O Papa João Paulo II

O Papa João Paulo II, por duas vezes escolheu este santuário como primeiro passo de suas viagens à América Latina: em 1979, para assistir à Conferência de Puebla e em 1984 para inaugurar as comemorações do V Centenário do descobrimento e o início da evangelização na América.

O Papa dizia nessa basílica, citando Puebla: “Ela (Maria) tem que ser cada vez mais a pedagoga do Evangelho na América Latina” (Puebla, 290). “Sim, continua dizendo o Papa, a pedagoga, a que nos conduz pela mão, que nos ensina a cumprir o mandato missionário de seu Filho e a guardar tudo o que Ele nos ensinou. O amor à Virgem Maria, Mãe e Modelo da Igreja, é garantia da autenticidade e da eficácia redentora de nossa fé cristã”.

Virgem do Pilar da Basílica em Zaragoza
Virgem do Pilar da Basílica em Zaragoza

Consagração a Nossa Senhora do Pilar

Virgem Imaculada! Minha Mãe! Maria!

Eu vos renovo, hoje e para sempre  a consagração de todo o meu ser para que disponhais de mim para o bem de todas as pessoas.

Somente vos peço, minha rainha e mãe da igreja,  força para cooperar fielmente  na vossa missão de trazer o reino de Jesus ao mundo.

Ofereço-vos, portanto,  Coração Imaculado de Maria, as orações e os sacrifícios deste dia, para que fiéis à nossa consagração,  sejamos igualmente disponíveis a colaborar convosco  na construção de um mundo novo,

Ó Maria concebida sem pecado!  Rogai por nós que recorremos a vós  e por todos quantos recorrem a vós, de modo particular as famílias de nossa comunidade paroquial, que vos venera com o título de Senhora do Pilar.

Salve Rainha…

Nossa Senhora do Rosário

3nsra-rosario0
Autor: Stefano Maria Legnani Data: 1700-1705

Nossa Senhora do Rosário possui um devoção muito antiga. Teve origem com os Monges irlandeses no século VIII, que recitavam os 150 Salmos. Como os leigos não sabiam ler, os monges ensinaram a rezar 150 Pai Nossos, que mais tarde foram substituídos por 150 Ave Marias. Assim, a devoção, começou a se espalhar pelo mundo.
Em muitas aparições de Maria Santíssima, Ela pede, ensina e reza junto, a oração do Rosário, como em Lourdes, em Fátima e tantas outras.

Rosário de Nossa Senhora
A palavra Rosário quer dizer um tanto de rosas, um buquê de rosas que se oferece a Nossa Senhora. Cada Ave Maria é uma rosa que oferecemos à Mãe, com carinho e esperança. Assim, quando rezamos o Santo Rosário completo, oferecemos um buquê de duzentas rosas a Nossa Senhora.

A devoção de Nossa Senhora do Rosário
São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, foi o grande propagador do Rosário no início do século Xlll. A Igreja lhe conferiu o título de Apóstolo do Santo Rosário. Naquela época havia muitos hereges que desviavam os fieis da Igreja Católica. São Domingos, com a prática da oração do Rosário, a pedido de Nossa Senhora, começou a combater as heresias dos albingenses, que crescia vertiginosamente na França. Imagem 1 – Nossa Senhora do Rosário com São Domênico e Santa Rosa.

O Papa mandou vários missionários para combater os hereges, mas nada conseguiram. Somente São Domingos, com a criação de sua ordem e com a insistente oração do Rosário, é que conseguiu acabar com esses hereges. São Domingos dizia que em todas as orações do Rosário pedia a intercessão de Maria Santíssima para converter os hereges e com o passar dos anos conseguiu.

Papa João Paulo II, o Papa de Nossa Senhora do Rosário
João Paulo II dedicou todo o seu Pontificado a Maria Santíssima. Ele declarou logo no primeiro dia de seu pontificado: Totus tuus Mariae (Tudo é de Maria). A devoção a Nossa Senhora do Rosário foi amplamente difundida e divulgada. Ele acrescentou mais um conjunto de Mistérios ao Rosário – os Mistérios Luminosos – em uma Encíclica que escreveu sobre o Santo Rosário.

3nsra-rosario1A Oração que veio do Céu
O que dá verdade e embasamento ao Santo Rosário, é que nos foi ensinado pelo próprio Jesus, por Maria Santíssima e pelo anjo do Senhor. O Pai Nosso foi ensinado por Jesus quando disse aos apóstolos: quando forem rezar, dizei: Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a sua vontade, assim na terra como do Céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixeis cair em tentação, e livrai-nos de todo o mal. Amém.
A oração da Ave Maria, foi nos ensinada pelo Anjo Gabriel, que apareceu a Maria dizendo: Ave Maria Cheia de graça, o Senhor é convosco. Santa Isabel, cheia do Espírito Santo, como nos diz Lucas, disse a Maria: bendita sóis vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus. E a Igreja completou escrevendo: Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte amém.

3nsra-rosarioContemplação dos Mistérios do Rosário
Atualmente o Santo Rosário é dividido em quatro conjuntos de mistérios, onde contemplamos os momentos da vida de Jesus e de Maria. Os quatro conjuntos de Mistérios são:
Mistérios Gozosos nos quais se contemplam a anunciação do Anjo a Maria; a visita de Maria a sua prima Isabel; o nascimento de Jesus em Belém; a apresentação de Jesus no templo; e Jesus perdido e achado no templo entre os doutores da lei.
Mistérios Dolorosos nos quais se contemplam a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras; a flagelação de Jesus; a Coroação de Espinhos; Jesus carrega a Cruz até o Calvário; a Crucificação e morte de Jesus.
Mistérios Gloriosos nos quais se contemplam a Ressurreição de Jesus; a sua Ascensão ao Céu; a vinda do Espírito Santo Sobre os Apóstolos e Maria; a Assunção de Maria ao Céu; a coroação de Maria.
Mistérios Luminosos foram escritos pelo próprio Papa João Paulo II, em sua carta apostólica, Rosarium Virginis Mariae, no ano de 2002. Nestes mistérios contemplam-se toda a Vida pública de Jesus: o Batismo no Rio Jordão; o Milagre nas bodas de Caná; a proclamação do Reino do Céu e o convite a Conversão; a Transfiguração de Jesus no Tabor; a Instituição da Eucaristia.

Milagres de Nossa Senhora do Rosário
A devoção a Nossa Senhora do Rosário atravessa os séculos, trazendo a Igreja para o lado de Maria Santíssima, que a leva para a Salvação de Jesus. O Rosário de Maria une a terra aos Céus. Maria Santíssima, em suas aparições, sempre insiste para que as pessoas rezem o Rosário, que é um dos caminhos para se chegar a Jesus e a Salvação eterna. O Santo Rosário é também uma poderosa arma de intercessão, um meio certo de se obter graças através da Virgem Maria.

Esta publicação é uma reedicão da versão anterior. Esta mais reduzida e com acréscimo de três novas imagens – ver publicação anterior Nossa Senhora do Rosário