Nossa Senhora da Agonia

nossa-senhora-da-agonia (4)Origem e significado de “Agonia”

A palavra agonia tem sua origem na angustiante luta entre os gladiadores na Roma antiga. Por isso, a Virgem Maria passou a ser invocada por pescadores de Viana do Castelo em Portugal, como nossa Senhora da Agonia. Eles passaram a usar o título “da Agonia” pelo fato de enfrentarem sempre a grande luta contra os perigos do naufrágio. O mar da região era muito bravio e, com a ajuda de tufões, jogava os barcos em direção a uma falésia chamada de “Penedo Ladrão”. As famílias dos corajosos pescadores assistiam a tudo do cais, angustiadas com a luta que aqueles homens travavam pela vida. Ajoelhadas, elas clamavam fervorosamente por Nossa Senhora da Agonia.

O santuário

Em Viana do Castelo, Portugal, existe um Santuário que foi construído para veneração a Nossa Senhora da Agonia. Foi construído em 1700 e, desde então, começaram inúmeras peregrinações levando multidões rumo ao santuário.

Devoção Festiva

Os pescadores do Norte de Portugal vão ao santuário de Nossa Senhora da Agonia para fazer seus pedidos de proteção e para agradecer pelas graças recebidas. Entre as cerimonias realizadas em louvor à Santa, pode-se citar uma procissão de barcos, organizada pelos pescadores. Um espetáculo encantador e emocionante.

Uma procissão muito famosa

A procissão marítima foi o que deu início às grandes cerimônias em louvor à Senhora da Agonia. Essa festa ficou tão famosa que pessoas de diversas nações da Europa viajam à Viana do Castelo, não apenas para fazer pedidos à Senhora, mas também como turistas para assistir aos fogos e shows pirotécnicos da festa.

Touradas

Também são realizadas grandes touradas, que atraem principalmente os espanhóis. Por mais que sejam festas que não demonstrem devoção, aqueles que visitam Viana do Castelo não deixam de ir ao o Santuário, para rezar e homenagear a Nossa Senhora da Agonia, que, mesmo sendo conhecida por diversos nomes, é sempre a Mãe de Jesus.

santuario agoniaSantuário de Nossa Senhora da Agonia no Brasil

O início comunidade Nossa Senhora da Agonia se deu em agosto de 1990, quando seus primeiros membros se interessaram em construir um templo no bairro Pinheirinho, onde residia grande parte desses fiéis. Foi então que eles começaram a pedir para algumas pessoas que possuíam terras nas proximidades, que doassem um terreno para o templo.

Não demorou muito, e logo receberam com muita alegria a notícia de que um senhor português, chamado Antônio de Lima Costa, radicado no Brasil há muitos anos, estava querendo doar um terreno no alto de uma colina, para que nela se construísse um templo.

A doação foi feita, e perguntado ao Sr. Antônio de Lima Costa se havia algum padroeiro escolhido por ele ou por sua família, ele respondeu: “É a SENHORA DA AGONIA. Já mandei entalhar sua imagem em Portugal”. O título sugerido não era do conhecimento de ninguém da comunidade, com exceção do doador do terreno e sua família. Este título surgiu em Portugal por volta de 1700. O Sr. Costa era muito devoto da Senhora da Agonia.

O santuário está localizado na Avenida Nossa Senhora da Agonia S/N, bairro de Nossa Senhora da Agonia em Itajubá/MG

nossa senhora da agonia 1Oração a Nossa Senhora da Agonia

Maria conhece todas as nossas necessidades, mágoas, tristezas, misérias e esperanças. Interessa-se por cada um de seus filhos, roga por cada um com tanto ardor como se não tivera outro. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

Ó Maria, Rainha dos Mártires, Senhora da Agonia, vós que permaneceste de pé junto à Cruz de Vosso Divino Filho Jesus e, às suas palavras: Mulher, eis o teu Filho; filho, eis a tua Mãe, tornaste-vos nossa Mãe; acolhei, com bondade, nossa prece filial.

Ó Senhora da Agonia, assim como o discípulo acolheu-Vos em sua casa, também nós queremos abrir-Vos as portas de nossos corações, de nossos lares, consagrando-vos toda a nossa vida passada, presente e futura.

Exercei, pois, Vossa função de Mãe, ensinando-nos a viver, em todos os momentos e vontade de Deus, levando-nos assim a imitar o Vosso sim de Nazaré, que culminou com o sim do Calvário. Vinde, ó Mãe, em socorro de nossas angústias, não permitindo que nos desviemos do caminho do bem, da verdade e do amor. Conduzi nossas vidas ao porto seguro da salvação que é Jesus. Ousando somar nossas agonias às vossas, diante desta dificuldade pedir a graça desejada, recorremos à vossa maternal proteção, com a confiança de que não ficaremos decepcionados em nossas súplicas. Amém. Nossa Senhora, rogai por nós. Amém.

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Nossa Senhora de Nazaré

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Representação da aparição de Nossa Senhora da Nazaré, em Portugal, e do milagre com o nobre guerreiro D. Fuas Roupinho.

A devoção teve início com uma famosa aparição e milagre ocorridos em Portugal e espalhou-se pelas colônias portuguesas. No Brasil, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré tem grande expressão em Belém (Pará) através do Círio de Nazaré, que se tornou uma das maiores procissões católicas do mundo, reunindo anualmente cerca de dois milhões de pessoas.

Origem da devoção em Portugal

Segundo a tradição, a sagrada imagem de Nossa Senhora da Nazaré foi esculpida por São José, sendo mais tarde pintada por São Lucas. No século sexto foi levada para a Espanha permanecendo no Mosteiro de Cauliniana, perto de Mérida, até 711, ano em que após a batalha de Guadalete foi levada para Portugal, onde permaneceu escondida, quase ignorada numa gruta do litoral, até ao ano de 1182, quando o cavaleiro D. Fuas Roupinho, por sua interseção, foi salvo milagrosamente, conforme conta a Lenda da Nazaré. O título desta invocação veio a dar o nome à vila da Nazaré, onde a imagem é venerada no Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Esta devoção foi conhecida em todo o Império Português, sobretudo devido à ação evangelizadora dos Jesuítas que consagraram a Nossa Senhora da Nazaré a sua principal casa de noviciado, em Lisboa, a capital do Império.

Imagem em azulejos na Capela de N. Sra. da Nazaré de Cortegaça - Portugal
Imagem em azulejos na Capela de N. Sra. da Nazaré de Cortegaça – Portugal

Devoção no Brasil
Em Saquarema 

No ano de 1630, no dia 8 de setembro, após uma forte tempestade, um pescador saiu para ver suas redes próximo ao mar de Saquarema. Ao passar pela colina, onde hoje está erguida a Matriz encontrou próximo ao Costão, morro de pedras que fica localizado no centro da cidade, uma forte luz. Decidiu então chegar mais próximo e encontrou uma imagem de Maria (Mãe de Jesus, deu-lhe então o título Nossa Senhora de Nazaré.

 Saquarema é o berço da devoção à Senhora de Nazaré no Brasil,em nosso país foi aqui que tudo começou, de Portugal a devoção veio direto para Saquarema. Até os dias de hoje esta verdadeira e única imagem encontra-se em sua Matriz sendo cercada de amor, e encontra-se revestida com seu tradicional e rico manto, símbolo desta devoção, reinando através dos séculos com quase 400 anos de história, fé e devoção. Existe uma comoção popular para que a Excelsa Virgem um dia seja proclamada Padroeira do Estado do Rio de Janeiro.
Imagem Nossa Senhora Nazaré de Belém(PA)
Imagem Nossa Senhora Nazaré de Belém(PA)

No Pará
A devoção à Nossa Senhora de Nazaré é de origem portuguesa. Introduzida no Pará pelos jesuítas, há mais de 200 anos é cultuada na festa do Círio de Nazaré.

Consta que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada pelo caboclo Plácido José de Souza no ano de 1700, às margens do igarapé Murucutu. Plácido a levou para sua casa e no dia seguinte a imagem havia desaparecido. O caboclo tornou a encontrá-la no igarapé, recolhendo-a novamente. O fato repetiu-se duas vezes até que foi construída uma pequena capela no local. Com o aumento da devoção, foi construída a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré nesta localidade, hoje Belém do Pará.

Em Belém ocorre todos os anos o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e reúne mais de 2 milhões de fiéis que seguem esta imagem que é levada par à Casa de Deus, onde termina a procissão e há uma missa com todos os devotos.

Procissões semelhantes ocorrem no estado em Cametá, Marabá, Aurora do Pará,Mãe do Rio, Macapazinho, São Miguel do Guamá,Souré, São João de Pirabas, Vigia e também em Portel no Marajó.

Nossa Senhora de Nazaré também é cultuada na região norte, nordeste, sudeste e em Brasília , onde um grupo de paraenses introduziu o círio em 1960.

Nossa Senhora da Purificação

Afresco de Giotto di Bondone - Cena 19 da vida de Cristo - Em Pádua - Itália
Afresco de Giotto di Bondone – Cena 19 da vida de Cristo – Em Pádua – Itália

A apresentação de Jesus no Templo, celebrada no dia 2 de fevereiro, celebra um episódio da infância de Jesus. Na Igreja Ortodoxa e em algumas Igrejas Católicas Orientais, ela é uma das doze Grandes Festas, e é por vezes chamada de Hypapante (literalmente “Encontro”, em grego), Outros nomes tradicionais são CandeláriaPurificação da Virgem e Encontro do Senhor. Na Igreja Católica Romana, a festa é uma das maiores, realizada entre a Festa da Conversão de São Paulo, no dia 25 de janeiro, e a Festa do Trono de São Pedro, em 22 de fevereiro.

No rito latino da Igreja Católica, a Apresentação de Jesus no Templo é o quarto Mistério Gozoso do Santo Rosário. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta festa tem sido referida como a festa da Apresentação do Senhor.

A festa da Apresentação é uma das mais antigas festas da Igreja.

A mais antiga referência sobre os rituais litúrgicos específicos sobre a festa foram descritos pela freira Egeria durante a sua peregrinação à Terra Santa entre 381 e 384. Ela reportou que 14 de fevereiro era um dia solene em Jerusalém, com uma procissão até a Basílica da Ressurreição de Constantino I, com uma homilia sobre Lucas 2:22 e uma Liturgia Divina. A chamada Itinerarium Peregrinatio (“Itinerário da Peregrinação”) de Egeria não oferece, porém, nenhum nome específico para a festa. A data de 14 de fevereiro indica que em Jerusalém, na época, celebrava-se o nascimento de Jesus em 6 de janeiro, dia da Epifania. Nas palavras dela:

Apresentação do Senhor -  Por Hans Holbein, o Velho - Kunsthalle de Hamburgo, Alemanha.
Apresentação do Senhor – Por Hans Holbein, o Velho – Kunsthalle de Hamburgo, Alemanha.

Originalmente, a festa era uma celebração menor. Mas então, em 541, uma terrível praga irrompeu em Constantinopla matando milhares. O imperador bizantino Justiniano I, em consulta com o patriarca de Constantinopla, ordenou um período de jejum e oração por todo o Império Bizantino. E, na festa do “Encontro do Senhor”, organizou grandes procissões por todas as cidades e vilas, além de um serviço solene de orações (Litia) para pedir a libertação de todos os males e o fim da praga. Em agradecimento, em 542, a festa foi elevada para uma celebração mais solene e passou a ser celebrada por todo o império pelo imperador.

Em Roma, a festa aparece no “Sacramentário Gelasiano”, uma coleção de manuscritos dos séculos VII e VIII associados com o papa Gelásio I, mas com muitas interpolações e algumas fraudes. É ali que aparece pela primeira vez o novo título da festa, “Purificação da Abençoada Virgem Maria”.

Nossa Senhora da Purificação

Há várias denominações para a Virgem da Purificação, entre elas destacam-se: Nossa Senhora da Candelária, das Candeias, da Luz e da Apresentação.

Maria, executou sua parte no Plano da Salvação, seguindo todos os ensinamentos para que tudo se cumprisse conforme a vontade do Criador, de acordo com as Sagradas Escrituras.

Maria-KellyAs mulheres dessa época eram consideradas impuras após o parto. Eram afastadas durante alguns dias do convívio social e das atividades religiosas no Templo. Passado o resguardo a mãe e a criança deveriam ir ao Templo. Ela para ser “purificada” conforme a Lei, a criança para ser apresentada ao Senhor.

No tempo determinado, a Sagrada Família foi ao Templo para a apresentação do Menino Jesus, à Deus-Pai. Maria na sua infinita humildade submeteu-se à cerimônia da purificação. Por este motivo, para demonstrar o grande respeito e carinho à Santíssima Virgem, os primeiros cristãos passaram a comemorar o dia da Purificação de Maria, em 02 de fevereiro.

O Papa Gelásio, que governou a Igreja entre 492 e 496, acabou instituindo para toda a cristandade esta procissão noturna dedicada à Mãe Santíssima. O trajeto, que representa o primeiro caminho percorrido pela Sagrada Família, deve ser todo iluminado por candeias, ou candelárias, e os fiéis carregam nas mãos velas acesas, entoando hinos em louvor à Maria. Dessa antiga tradição, veio o título de Nossa Senhora das Candeias, ou da Candelária.

A festa de Nossa Senhora da Purificação é uma das mais antigas do catolicismo. Mas esse dia de luz tem um enfoque todo especial para o corpo da Igreja. É que em geral, religiosos e religiosas o escolhem para pronunciar seus votos solenes de castidade, pobreza e obediência, para consagrar e colocar suas vidas à serviço do Senhor.

No Brasil a Igreja de Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro em Santo Amaro/BA, é uma das mais antigas do Brasil e data de 1608.

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Nossa Senhora Achiropita

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Como o título de Nossa Senhora Achiropita é tão diferente dos nomes conhecidos atribuídos à Mâe de Jesus Cristo, devemos explicar muitas vezes o seu significado. Sempre o fazemos contando uma bonita história, que pertence à tradição do povo italiano, vindo da Calábria para o Brasil, no final do século XIX. Eis a nossa história:

No ano de 580, um certo capitão Maurício enfrentou uma grande tempestade no mar. Gritava por socorro a Nossa Senhora e prometeu que, se fosse salvo com sua tripulação, construiria um grande santuário em sua homenagem. Desviado pelos ventos, por milagre, conseguiu salvar-se, e numa aldeia encontrou um monge que lhe disse: “Não foram os ventos que te trouxeram para este lugar. Foi Maria, para que lhe construas um santuário, quando fores eleito imperador”. A profecia cumpriu-se e o santuário foi construído em Rossano Calábro.

Um Grande artista iniciou a pintura da imagem de Maria. Ocorria, no entanto, que tudo o que pintava durante o dia desaparecia durante a noite. Foi assim colocando um vigilante para impedir a entrada de possíveis intrusos, que estavam “fazendo a brincadeira”. Numa certa noite, uma formosa mulher, com uma criança no colo, pediu para entrar e rezar. Após insistir, obteve a permissão. Que mal poderia fazer aquela gentil senhora?

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Passaram longos minutos e a mulher nunca saía da igreja. E eis que quando o vigilante entrou na igreja, viu a imagem da mulher e do menino estampada no lugar da pintura. Assim, Maria Achiropita: a – kirós – pita ( não pintada por mãos humanas ). O vigilante saiu gritando pelas ruas: Nossa Senhora Achiropita! Nossa Senhora Achiropita !

Esta é a devoção Mariana que nossos irmãos italianos trouxeram para o Brasil e que nós veneramos como protetora e Mãe dos cristãos. Sua festa é celebrada no dia 15 de Agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora. No Brasil, é a padroeira da paróquia Nossa Senhora Achiropita, em São Paulo. É a maior festividade religiosa da cidade. Que a Mãe de Deus Achiropita nos proteja como filhos e cuide de nós com amor!

Oração a Nossa Senhora Achiropita.
Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe Achiropita volvei o vosso olhar piedoso para nós e para as nossas famílias.
Através dos séculos, pelos milagres e pelas aparições, mostrastes ser Medianeira perene de graças.
Tende compaixão das dificuldades em que nos encontramos e das tristezas que amarguram a nossa vida.
Vós, coroada Rainha, à direita do Vosso Filho, cheia de glória imortal, podeis auxiliar-nos. Tudo o que está em nós e em volta de nós, receba as vossas bênçãos maternais.
Ó Rainha Achiropita, prometemos dedicar-vos toda a nossa vida para a honra do vosso culto e a serviço de nossos irmãos.
Solicitamos de vossa maternal bondade os auxílios em nossas necessidades e a graça de viver sob a vossa constante proteção, consolados em nossas aflições e livres das presentes angústias.
Com confiança podemos repetir que, não recorre a vós inutilmente

Nossa Senhora das Candeias

A origem da devoção à Senhora das Candeias tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). De acordo com a tradição mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar ao Templo até quarenta dias após o parto; nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacríficio (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e assim purificar-se.
Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, teria-lhes dito: «Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo» (Lucas, 2,29-33).

Com base na festa da Apresentação de Jesus / Purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: o Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora das Candeias, cujas festas eram geralmente celebradas com uma procissão de velas, para relembrar o fato.

Aparência

A Virgem da Candelária ou Nossa Senhora da Luz apareceu em uma praia na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) em 1400. Os nativos guanches da ilha ficaram com medo dela e tentaram atacá-la, mas suas mãos ficaram paralisadas. A imagem foi guardada em uma caverna, onde, séculos mais tarde, foi construído o Templo e Basílica Real da Candelária (em Candelária). Mais tarde, a devoção se espalhou na América. É santa padroeira das Ilhas Canárias, sob o nome de Nossa Senhora da Candelária.

Invocação e expansão do cultoNossa Senhora das Candeias era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: «Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora das Candeias […]»), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à ação mecenática da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e sua terceira esposa, D. Leonor de Áustria.

A partir daí, a devoção à Senhora das Candeias cresceu, e com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da cidade de Curitiba.

Lenda de Nossa Senhora das Candeias

A lenda de Nossa Senhora das Candeias é um mito sobre a fundação de Curitiba. Haveria uma imagem de Nossa Senhora das Candeias, localizada na capela do primeiro vilarejo da região, a Vilinha, ainda às margens do Rio Atuba (Curitiba). Todas as manhãs esta imagem estava voltada para uma dada direção. Interpretando como uma vontade da Santa, foi feito um contato com o cacique dos índios tingüi, o cacique “Tindiquera”. Este teria localizado o novo local e colocado uma vara no chão, dizendo “Coré Etuba”, com o significado de “muito pinhão”. Desta vara teria brotado uma frondosa árvore, sendo este o marco zero da cidade de Curitiba.

Existem outras lendas de Nossa Senhora da Luz em diversos locais do Brasil: Guarabira/PB, Pinheiro Machado/RS, Itu/SP, ou ainda Corumbá/MS. Em Juazeiro do Norte, Ceará, ocorre todos os anos uma grande romaria em sua homenagem.

Nossa Senhora da Luz, dita A Virgem do Carvoeiro. esta última imagem é brasileira do século XVI e está no Museu de Arte Sacra de São Paulo.

A festa da Imaculada Concepção

A festa da Imaculada Concepção foi instituída primeiramente na Igreja Grega, por volta do século V. Somente por volta do século VII ela é adotada também pela Igreja Latina. A data de comemoração, escolhida inicialmente por vontade dos monges que organizaram a primeira festa ainda na Igreja Grega para o dia 9 de dezembro, acabou sendo mudada na Igreja Latina para o dia 8 de dezembro.

Numerosas vezes a festa caiu em desuso e numerosas vezes foi reinstituída ao longo da Idade Média em diversos países europeus. A devoção foi ganhando cada vez mais adeptos e, por volta do século XIII teve início uma grande controvérsia entre Franciscanos e Dominicanos em relação ao dogma. Os Franciscanos defendiam o dogma como o conhecemos hoje: Maria teria sido também concebida sem pecado original, como estava decidido desde o início.
Já os Dominicanos defendiam que Maria teria sido apenas santificada no ventre de Ana, como aconteceu com João Batista, tornando assim seu nascimento um pouco menos miraculoso. Tanto Dominicanos quanto Franciscanos acreditavam que suas versões para o nascimento de Maria estariam fortalecendo a Igreja Católica e a figura do Cristo enquanto salvador.

Entre os séculos XIII e XIV travou-se um embate acirrado entre os doutores da Igreja Latina, que se refletiu na arte produzida na época. Encontramos várias representações da concepção e do nascimento da Virgem apresentando claramente ora idéias defendidas pelos Franciscanos, ora as que advogavam os Dominicanos. As obras que eram partidárias dos Dominicanos tentam mostrar o lado mais humano das cenas, com um tratamento menos idealizado e omitindo qualquer menção a milagres. Já as partidárias dos Franciscanos, mostram as cenas bastante idealizadas e sempre cercadas de eventos milagrosos. Hoje, sabemos que os Franciscanos venceram este embate, mas é importante lembrar que entre os séculos XVI e XVII os jesuítas ainda discutiam o dogma da Imaculada Concepção da Virgem e as controvérsias foram sempre tantas, que só em 1854 o dogma foi reconhecido pela Igreja Católica.

Na constituição Ineffabilis Deus de 8 Dezembro de 1854, Pio IX afirmou que a Virgem Maria Abençoada “no primeiro momento de sua concepção, por um privilégio único e por graça de Deus, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador da raça humana, foi preservada de toda a mancha do pecado original.”

Referências da imagem do post:

Retábulo da Virgem Maria – National Gallery, Londres.
Neste retábulo pode-se observar representações que tendem a reforçar as idéias franciscanas. Aqui, Maria, representada como a Virgem da Humildade, aparece entronizada com o menino e cercada de cenas de milagres envolvendo seu nascimento e seu culto. Nos painéis da esquerda, foram representadas cenas miraculosas envolvendo o nascimento da Virgem:
1) Oferenda de S Joaquim rejeitada;
2) Anjo aparece para S Joaquim;
3) O encontro na porta Dourada;
4) Nascimento da Virgem.
Nos painéis da direita encontramos cenas mostrando milagres da Virgem relacionados à Festa da Imaculada Concepção:
1) Helsin é salvo do naufrágio;
2) Helsin pregando a favor da festa;
3) Padre pecador francês sendo afogado por demônios;
4) Padre restituído à vida. Na predella encontramos representações de Cristo e dos 12 apóstolos. Imagem do site:
http://www.philipresheph.com/a424/gallery/concept/concept.htm