Nossa Senhora da Purificação

Afresco de Giotto di Bondone - Cena 19 da vida de Cristo - Em Pádua - Itália
Afresco de Giotto di Bondone – Cena 19 da vida de Cristo – Em Pádua – Itália

A apresentação de Jesus no Templo, celebrada no dia 2 de fevereiro, celebra um episódio da infância de Jesus. Na Igreja Ortodoxa e em algumas Igrejas Católicas Orientais, ela é uma das doze Grandes Festas, e é por vezes chamada de Hypapante (literalmente “Encontro”, em grego), Outros nomes tradicionais são CandeláriaPurificação da Virgem e Encontro do Senhor. Na Igreja Católica Romana, a festa é uma das maiores, realizada entre a Festa da Conversão de São Paulo, no dia 25 de janeiro, e a Festa do Trono de São Pedro, em 22 de fevereiro.

No rito latino da Igreja Católica, a Apresentação de Jesus no Templo é o quarto Mistério Gozoso do Santo Rosário. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta festa tem sido referida como a festa da Apresentação do Senhor.

A festa da Apresentação é uma das mais antigas festas da Igreja.

A mais antiga referência sobre os rituais litúrgicos específicos sobre a festa foram descritos pela freira Egeria durante a sua peregrinação à Terra Santa entre 381 e 384. Ela reportou que 14 de fevereiro era um dia solene em Jerusalém, com uma procissão até a Basílica da Ressurreição de Constantino I, com uma homilia sobre Lucas 2:22 e uma Liturgia Divina. A chamada Itinerarium Peregrinatio (“Itinerário da Peregrinação”) de Egeria não oferece, porém, nenhum nome específico para a festa. A data de 14 de fevereiro indica que em Jerusalém, na época, celebrava-se o nascimento de Jesus em 6 de janeiro, dia da Epifania. Nas palavras dela:

Apresentação do Senhor -  Por Hans Holbein, o Velho - Kunsthalle de Hamburgo, Alemanha.
Apresentação do Senhor – Por Hans Holbein, o Velho – Kunsthalle de Hamburgo, Alemanha.

Originalmente, a festa era uma celebração menor. Mas então, em 541, uma terrível praga irrompeu em Constantinopla matando milhares. O imperador bizantino Justiniano I, em consulta com o patriarca de Constantinopla, ordenou um período de jejum e oração por todo o Império Bizantino. E, na festa do “Encontro do Senhor”, organizou grandes procissões por todas as cidades e vilas, além de um serviço solene de orações (Litia) para pedir a libertação de todos os males e o fim da praga. Em agradecimento, em 542, a festa foi elevada para uma celebração mais solene e passou a ser celebrada por todo o império pelo imperador.

Em Roma, a festa aparece no “Sacramentário Gelasiano”, uma coleção de manuscritos dos séculos VII e VIII associados com o papa Gelásio I, mas com muitas interpolações e algumas fraudes. É ali que aparece pela primeira vez o novo título da festa, “Purificação da Abençoada Virgem Maria”.

Nossa Senhora da Purificação

Há várias denominações para a Virgem da Purificação, entre elas destacam-se: Nossa Senhora da Candelária, das Candeias, da Luz e da Apresentação.

Maria, executou sua parte no Plano da Salvação, seguindo todos os ensinamentos para que tudo se cumprisse conforme a vontade do Criador, de acordo com as Sagradas Escrituras.

Maria-KellyAs mulheres dessa época eram consideradas impuras após o parto. Eram afastadas durante alguns dias do convívio social e das atividades religiosas no Templo. Passado o resguardo a mãe e a criança deveriam ir ao Templo. Ela para ser “purificada” conforme a Lei, a criança para ser apresentada ao Senhor.

No tempo determinado, a Sagrada Família foi ao Templo para a apresentação do Menino Jesus, à Deus-Pai. Maria na sua infinita humildade submeteu-se à cerimônia da purificação. Por este motivo, para demonstrar o grande respeito e carinho à Santíssima Virgem, os primeiros cristãos passaram a comemorar o dia da Purificação de Maria, em 02 de fevereiro.

O Papa Gelásio, que governou a Igreja entre 492 e 496, acabou instituindo para toda a cristandade esta procissão noturna dedicada à Mãe Santíssima. O trajeto, que representa o primeiro caminho percorrido pela Sagrada Família, deve ser todo iluminado por candeias, ou candelárias, e os fiéis carregam nas mãos velas acesas, entoando hinos em louvor à Maria. Dessa antiga tradição, veio o título de Nossa Senhora das Candeias, ou da Candelária.

A festa de Nossa Senhora da Purificação é uma das mais antigas do catolicismo. Mas esse dia de luz tem um enfoque todo especial para o corpo da Igreja. É que em geral, religiosos e religiosas o escolhem para pronunciar seus votos solenes de castidade, pobreza e obediência, para consagrar e colocar suas vidas à serviço do Senhor.

No Brasil a Igreja de Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro em Santo Amaro/BA, é uma das mais antigas do Brasil e data de 1608.

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Nossa Senhora da Alegria

Notre-Dame-de-Liesse-Statue-192Nas devoções marianas existem alguns títulos sobre a alegria: Nossa senhora das Alegrias, Nossa Senhora da Alegria e a devoção francesa de Liésse que traduzida do francês quer dizer alegria.

A história

Durante o reinado de Fulco de Anjou, quarto rei de Jerusalém, três fidalgos de Laon, partidos para a Cruzada, foram feitos prisioneiros e conduzidos ao Cairo. O sultão El-Afdhal tentava, por ameaças e seduções, fazê-los abjurar a sua fé. Não conseguiu abalar a piedosa fidelidade de seus prisioneiros; pelo contrário, estes converteram a filha do príncipe, que decidiu não só deixá-los evadirem-se, como também os acompanhou.

A evasão produziu-se sem embaraço, levando os fugitivos consigo uma imagem da Santíssima Virgem. Mas a sua situação era muito perigosa e uma noite, abatidos pela fadiga e incertos do futuro, adormeceram desanimados.

Ao despertar, qual não foi a surpresa! Reconheceram sua terra natal. Estavam em França. Em uma noite foram transportados milagrosamente do Egito para a sua pátria. No outro dia, acharam no mesmo lugar a estátua de Nossa Senhora, que trouxeram na fuga.

Como explicar a sua alegria e sua gratidão pelo milagroso livramento? Fizeram erigir à Maria um santuário onde aprouve à Virgem Santíssima multiplicar os benefícios e as graças.

A basílica

Na diocese de Laon se acha o célebre santuário de Nossa Senhora de Lièsse. Este nome significa Nossa Senhora da Alegria, e foi dado em memória dum acontecimento feliz que o santuário de Lièsse recorda.

A Basílica de Nossa Senhora de Liesse em estilo gótico flamejante, foi construída em 1134 pelos Cavaleiros de Eppes e em seguida, reconstruída em 1384 e ampliada em 1480, veio em peregrinação a honrar a Virgem Negra , referindo-se sudanesa Isméria , filha do sultão do Cairo El-Afdhal, que depois de salvar a vida dos cavaleiros franceses durante as Cruzadas, tornou-se esposa de Robert Eppes, filho de William II de França. Em 1923, a igreja foi transformada em Basílica.

A oração

Peçamos à Mãe de Deus que nos seja refúgio nas nossas tribulações, e confiemos todas as nossas alegrias àquela que a Igreja chama de Mãe da Esperança e de Santa Alegria.

Notas

A imagem de Nossa Senhora da Alegria (Liésse) é uma das muitas imagens da Virgem Negra.

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Pintura da Basílica de Notre Dame de Liésse onde a imagem de nossa senhora da aletria está entronada.

Em 1620, o oficial de justiça titular da Armênia, Fra ‘Jacques Chenu Bellay, construiu uma igreja de Nossa Senhora de Liesse em Valletta, em Malta. É hoje a igreja capelania do porto de Valletta.

A estátua original foi destruída caindo sobre a Revolução Francesa, o objetivo da basílica medieval em Liesse manteve-se como um centro de devoção à Mãe de Deus, e uma nova estátua foi instalada e coroada em 1857. Ela ainda é o foco de peregrinação, especialmente no Pentecostes.

Em junho de 1686, São João Batista de La Salle e doze irmãos foram ao santuário de Nossa Senhora de Liesse para renovar seu voto de obediência. Pintura por Giovanni Gagliardi, 1901.
Em junho de 1686, São João Batista de La Salle e doze irmãos foram ao santuário de Nossa Senhora de Liesse para renovar seu voto de obediência. Pintura por Giovanni Gagliardi, 1901

 

 

Nossa Senhora da Expectação do Parto

Nossa Senhora do Ó é uma devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, remontando à época do X Concílio, presidido pelo arcebispo Santo Eugênio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de Dezembro.
Sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, este determinou, por sua vez, que essa festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. Pelo fato de, nas vésperas, se proferirem as antífonas maiores, iniciadas pela exclamação (ou suspiro) “Oh!”, o povo teria passado a denominar essa solenidade como Nossa Senhora do Ó.

De origem claramente espanhola, conhecida na liturgia com o nome de “Expectação do parto de Nossa Senhora”, e entre o povo com o título de “Nossa Senhora do Ó”. Os dois nomes encerram o mesmo significado e objecto: os anelos santos da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. Anelos de milhares e milhares de gerações que suspiram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva, e que se recolhem e concentram no Coração de Maria, como no mais puro e limpo dos espelhos.

A Expectação do parto não é simplesmente a ansiedade, natural na mãe jovem que espera o seu primogénito, é o desejo inspirado e sobrenatural da “bendita entre as mulheres”, que foi escolhida para Mãe Virgem do Redentor dos homens, para corredentora da humanidade. Ao esperar o seu Filho, Nossa Senhora ultrapassa os ímpetos afectivos duma mãe vulgar e eleva-se ao plano universal da economia divina da salvação do mundo. O Filho que vai nascer traz uma missão de catolicidade salvadora.

Não vem simplesmente para sorrir e para beijar a mãe, mas para resgatar com Seu sangue o povo. Os sentimentos da Virgem Maria, nos dias que precedem o nascimento de Jesus, não são egoístas; tendem somente para Deus, que será agora dignamente glorificado, e olham para todos os homens, que vão sair da escravidão para entrar na categoria de filhos, de nobres e livres, no Reino de Deus.

As antífonas maiores que põe a Igreja na Liturgia das Horas desde 18 de Dezembro até à véspera do Natal e começam sempre pela interjeição exclamatica Ó, como expoente altíssimo do fervor e ardentes desejos da Igreja, que suspira pela vinda pronta de Jesus, inspiraram ao povo espanhol a formosa invocação de “Nossa Senhora do Ó”, Nossa Senhora como centro dos desejos dos antigos justos de Israel e dos fiéis cristãos de hoje, que, à uma e em afectuosa comoção, anelam pela aparição do Messias. É ideia grande e inspirada: A Mãe de Deus, a Virgem Imaculada posta à frente da imensa caravana da humanidade, peregrina pelo deserto da vida, que levanta os braços suplicantes e abre o coração enternecido, para pedir ao céu que Ihe envie o Justo, o Redentor.

“Ó Sabedoria, … vinde ensinar-nos o caminho da salvação.” “Ó Chefe da Casa de Israel, … vinde resgatar-nos com o poder do vosso braço”. “Ó Rebento da Raiz de Jessé,… vinde libertar-nos, não tardeis mais”. “Ó Chave da Casa de David, … vinde libertar os que vivem nas trevas e nas sombras da morte”. “Ó Sol nascente, esplendor da luz eterna e sol de justiça, vinde iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte”. “Ó rei das nações e Pedra angular da Igreja, vinde salvar o homem que formastes do pó da terra”. “Ó Emanuel, … vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus”.

A festa de Nossa Senhora do Ó foi instituida no século VI pelo décimo concílio de Toledo, ilustre nos fastos da história pela dolorosa, humilde, edificante e pública confissão de Potâmio, bispo bracarense, pela leitura do testamento do ínclito S. Martinho de Dume, e pela presença simultânea de três santos naturais de Espanha: Santo Eugénio III de Toledo, S. Frutuoso de Braga e o então abade agaliense Santo Ildefonso.
Santo Ildefonso estabeleceu esta festa no dia 18 de Dezembro e deu-lhe o título de Expectação do Parto. Assim ficou sendo na Hispânia e passou a muitas Igrejas da França, etc. Ainda hoje é celebrada na arquidiocese de Braga e nesta Paróquia de Várzea de Lafões.

Iconografia: A imagem de Nossa Senhora do Ó sempre apresenta a mão esquerda espalmada sobre o ventre avantajado, em fase final de gravidez. A mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Encontram-se imagens com esta mão segurando um livro aberto ou também uma fonte, ambos significando a fonte da vida. Em Portugal essas imagens costumavam ser de pedra e, no Brasil, de madeira ou argila.

Perseguições: No começo do século XIX, mudanças no culto mariano começavam a estimular o dogma da Imaculada Conceição, o que não combinava com aquela santa em estado de adiantada gravidez, como a retratava a iconografia, estimada pelas mulheres à espera da hora do parto.

Muitas imagens foram trocadas pela da Nossa Senhora do Bom Parto, vestida de freira, com o ventre disfarçado pela roupa, ou mesmo pela imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, mais condizente com os ventos moralistas de então.

Somente no fim do século XX se voltou a falar e pesquisar o assunto, tendo-se encontrado imagens antigas enterradas sob o altar das igrejas.

Nossa Senhora do Ó no Brasil: No Brasil, o culto iniciou-se à época desde o início da colonização, com o Capitão donatário Duarte Coelho, na Capitania de Pernambuco. Tendo fundado a vila de Olinda, nessa povoação erigiu-se uma Igreja sob a invocação de São João Batista, administrada por militares, onde era venerada uma imagem de Nossa Senhora da Expectação ou do Ó. De acordo com Frei Vicente Mariano, também se tratava de uma imagem pequena com cerca de dois palmos de altura, entalhada em madeira e estofada, de autoria e origem desconhecida. A tradição reputa esta imagem como milagrosa, tendo vertido lágrimas em 28 de Julho de 1719.

A partir dessa primitiva imagem em Olinda, a devoção se espalhou em terras brasileiras graças a cópias na Ilha de Itamaracá, em Goiana, em Ipojuca e em São Paulo, nesta última em casa da família de Amador Bueno e na do bandeirante Manuel Preto que fundou a igreja e o bairro bem conhecidos até hoje. Os bandeirantes , por sua vez levaram a devoção para Minas Gerais, onde, em Sabará, se erige a magnífica Capela de Nossa Senhora do Ó, em estilo indo-europeu, atualmente tombada pelo Iphan.

  • A primeira imagem deste artigo é uma obra do artista italiano da renascença Piero Della Francesca.
  • A segunda imagem é obra do artista italiano Taddeo Gaddi de Firenze.
  • Nossa Senhora do Ó – Paróquia em São Paulo